Era no tempo do rei.
Uma das quatro esquinas que formam as ruas do Ouvidor e da Quitanda, cortando-se mutuamente, chamava-se nesse tempo - O canto dos meirinhos -; e bem lhe assentava o nome, porque era aí o lugar de encontro favorito de todos os indivíduos dessa classe (que gozava então de não pequena consideração). Os meirinhos de hoje não são mais do que a sombra caricata dos meirinhos do tempo do rei; esses eram gente temível e temida, respeitável e respeitada; formavam um dos extremos da formidável cadeia judiciária que envolvia todo o Rio de Janeiro no tempo em que a demanda era entre nos um elemento de vida: o extremo oposto eram os desembargadores. Ora, os extremos se tocam, e estes, tocando-se, fechavam o círculo dentro do qual se passavam os terríveis combates das citações, provarás, razões principais e finais, e todos esses trejeitos judiciais que se chamava o processo.
Daí sua influência moral.
Autor: ManuelAntônio de Almeida (adaptado)
Acerca de aspectos semânticos do texto, analise as partes a seguir: Pode-se afirmar que os meirinhos, no presente do enunciado, eram gente temida, respeitável e respeitada (1' parte) No tempo do rei, no entanto, não gozavam de grande consideração (2ª parte), e formavam, ao lado dos desembargadores, uma formidável cadeia judiciária (3' parte). Das partes, pode-se afirmar que estão CORRETA(S):