Magna Concursos
3473992 Ano: 2024
Disciplina: Psicologia
Banca: IDECAN
Orgão: CBM-MG

O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 16 a 17.

A prevenção do adoecimento psíquico e a promoção da saúde mental são desafios atuais para a área da Saúde do Trabalhador. A prevalência de transtornos mentais tem crescido nos últimos anos, tanto no Brasil quanto em outros países ao redor do mundo (STEEL et al., 2014). Entre trabalhadores ativos, tal crescimento implica em comprometimento da qualidade de vida, perda de produtividade, afastamento temporário do trabalho ou aposentadoria precoce (GOETZEL et al., 2018). No âmbito previdenciário brasileiro, por exemplo, o mais recente Anuário Estatístico da Previdência Social indicou que transtornos mentais e do comportamento (diagnosticados de acordo com a Classificação Internacional de Doenças) têm ocupado a terceira posição na concessão de auxílio-doença por incapacidade. Apenas em 2017, foram registrados 162.548 casos (BRASIL, 2017).

Ao voltar a atenção para a realidade dos bombeiros militares, o cenário não é diferente daquele observado entre os trabalhadores brasileiros em geral. Estudo realizado no município de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, mostrou que o absenteísmo por transtornos mentais e do comportamento entre bombeiros militares cresceu nos últimos anos, compondo uma das principais causas de afastamento do trabalho naquele estado (FIORIN, 2013). Em Santa Catarina, no período entre 2013 e 2016, os transtornos mentais foram a terceira causa de afastamento (PEREIRA, 2017). Inquéritos sobre saúde mental entre bombeiros militares brasileiros seguem na mesma direção: são registradas altas prevalências de transtornos mentais, incluindo transtorno de estresse pós-traumático (LIMA, BARRETO, ASSUNÇÃO, 2015; BERGER et al., 2007), uso nocivo de álcool (AMATO et al., 2010) e quadros de burnout (LOPES, 2010).

A magnitude do problema e suas consequências para os bombeiros militares sugerem que é necessária a adoção de ações institucionais visando a saúde mental. Dentre elas, é possível destacar as ações de Vigilância em Saúde do Trabalhador - Visat (LEÃO, GOMEZ, 2014). Tais ações podem utilizar dados já disponíveis (vigilância passiva) ou empreender esforços no sentido de construir ferramentas para identificar e registrar casos de adoecimento e acidentes de trabalho (vigilância ativa). As duas modalidades podem também ser combinadas, criando-se um sistema híbrido. Contudo, independente da modalidade adotada, alguns desafios estão sempre presentes, como registro de informações, construção de indicadores, análise e interpretação dos dados, retroalimentação (fase que requer a apresentação e discussão dos resultados junto aos trabalhadores e gestores da instituição) e planejamento e implementação de intervenções (MAIZLISH, 2000).

Leão e Gomez (2014) chamam a atenção ainda para um aspecto importante a ser observado nas ações em Visat: não basta focalizar a presença de sintomas psíquicos, é necessário avaliar e compreender sua relação com os fatores de risco presentes no ambiente de trabalho. Cabe enfatizar que, na realidade dos bombeiros militares, há dois grandes grupos de fatores de risco para a saúde mental: estressores operacionais e estressores organizacionais (LIMA, 2013).

O primeiro, estressores operacionais, está ligado à natureza das tarefas e decorre da exposição rotineira a situações de violência, risco de morte ou morte de pessoas, incluindo o risco para a vida dos próprios bombeiros (VAN DER VELDEN, KLEBER, GRIEVINK, YZERMANS, 2010). As cenas presenciadas pelos trabalhadores em ocorrências de atendimento pré-hospitalar, salvamento e combate a incêndio urbano são destaques nesse grupo (MONTEIRO, LIMA, 2018).

O segundo, estressores organizacionais, é comum aos trabalhadores em geral, embora assuma características peculiares nos Corpos de Bombeiros. Se vincula à forma pela qual o trabalho é organizado nas instituições. É possível citar ritmo de trabalho, pressão de tempo, número de horas trabalhadas, grau de autonomia sobre as tarefas, possibilidade de ter voz ativa nas decisões que interferem no trabalho de cada um e apoio social de colegas e chefes (KARASEK, THEORELL, 1990; GLINA, ROCHA, 2010). No conjunto, tanto estressores operacionais quanto organizacionais são essenciais para o entendimento da dinâmica saúde mental-trabalho (LIMA, ASSUNÇÃO, 2011).

Considerando as recomendações sobre Visat e suas metas institucionais de planejamento estratégico (MINAS GERAIS, 2017), o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) desenvolveu uma ferramenta de vigilância ativa, o Programa de Saúde Ocupacional Bombeiro Militar - PSOBM (MINAS GERAIS, 2015). O objetivo do PSOBM é realizar avaliações periódicas dos bombeiros militares do estado, mensurando a exposição a fatores de risco presentes no ambiente de trabalho e suas possíveis consequências à saúde. O programa inclui a atenção à saúde física e mental, ou seja, tem um caráter multidisciplinar pouco usual no Brasil. Vale frisar: a saúde mental é um aspecto raramente focalizado em ações de Visat (LEÃO, GOMEZ, 2014).

Lima E. P., Vasconcelos, A. G., Camargos, B. H. (2020). "Vigilância em Saúde Mental no Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG)". Revista Flammae.

Como visualizado no texto ilustrativo "Vigilância em Saúde Mental no Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG)" de Lima E. P., Vasconcelos, A. G,, Camargos, B. H. (2020), os modelos de estresse ocupacional são fundamentais para compreender como o ambiente de trabalho e as condições laborais que afetam a saúde mental dos trabalhadores. Através da aplicação de modelos teóricos, é possível desenvolver intervenções que promovam um ambiente de trabalho mais saudável e reduzam o impacto negativo do estresse ocupacional. Da mesma maneira, Borges e Mourão, em sua obra "Psicologia do Trabalho: Teoria e Prática” (2013), exploram o tema, discutindo as implicações do estresse no contexto laboral. Neste sentido, identifique a alternativa que apresenta os modelos de estresse ocupacional analisados pelos autores.

 

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