Não é fácil fazer um balanço sintético e objetivo da “era desenvolvimentista” (1937-1990). Foram 29 anos de regime autoritário, e durante essas cinco décadas, apesar do crescimento da economia, a desigualdade na distribuição da riqueza e da renda aumentou de forma quase contínua. Na maior parte desse tempo, predominou um projeto hegemonizado pelas forças conservadoras, sustentando-se
em uma coalizão extremamente heterogênea e arbitrada pelo poder militar. Mas nesse período e sob essas condições, a ação conjunta dos capitais estatais, associada aos capitais privados estrangeiros e nacionais, construiu uma economia industrial diversificada e relativamente integrada.
José Luís Fiori. 60 lições dos 90, uma década de
neoliberalismo. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2001, p. 191 (com adaptações).
Ainda tendo por base o período focalizado no texto V, julgue o item seguinte, concernentes ao cenário político-partidário brasileiro.
A longa crise do regime militar começou a manifestar-se em meados da década de 70: de um lado, esgotava-se o modelo que permitira o “milagre econômico”, com as elevadas taxas de crescimento verificadas entre 1969 e 1973; de outro, a vitória do MDB nas eleições para o Senado em 1974 exprimia a existência de um sentimento oposicionista de acentuada dimensão na sociedade brasileira.