Magna Concursos
656412 Ano: 2014
Disciplina: Comunicação Social
Banca: UFT
Orgão: Pref. Palmas-TO
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“Contas simples revelam coincidências estranhas”

[...] Um consumidor que procura entender a evolução da sua fatura de eletricidade lendo alguma notícia de jornal fica cada vez mais confuso.

Talvez a principal questão ainda não respondida pelas autoridades do setor seja o inexplicável encarecimento da eletricidade brasileira, fazendo com que um sistema de base elétrica tenha preços de países de petróleo. A atual situação, que poderá resultar em mais um racionamento, deixa qualquer um atrapalhado. Quer dizer que temos um parque completamente dependente de chuvas? [...] Não existe uma forma de dimensionar sistema de tal maneira que esses maus humores de São Pedro sejam previsíveis e controláveis. Em 2000 tínhamos 83% de usinas hidroelétricas, e essa proporção veio declinando até 68% em 2012. [...] É evidente que a diminuição de hidráulicas no total não foi acompanhada de uma redução da sua responsabilidade na geração.

Como se vê, as hidráulicas permanecem gerando uma proporção próxima dos 90%. Não é preciso ser um expert para entender que a permanência desse padrão acaba por esgotar as reservas. Portanto, se o regime de chuvas foi insuficiente, a operação que privilegiou o uso das hidráulicas somente piorou o quadro. Aqui também está claramente retratada a dicotomia entre operação e comercialização do nosso sistema [...] Para se entender o que ocorre nas entranhas do modelo que originou essa perigosa conjuntura, por incrível que pareça, é preciso olhar a nossa estrutura tarifária. Segundo dados da Aneel, em 2011, o último ano antes da intervenção da Medida Provisória 579, de setembro de 2012, 31% do custo se referia à energia adquirida (kWh); 5,7%, à transmissão; 26,5%, à distribuição; 10,9% aos encargos e 25,9%, a impostos [...] Duas espantosas conclusões resultam de um pouco de reflexão: A MP que reduziu a tarifa em 20% escolheu o alvo errado. Afinal, nossa conta de luz não era cara por conta do preço do quilowatt-hora. Com tantas outras pesadas parcelas, sobretudo impostos, como introduzir fontes de energia mais cara na base do sistema sem aumentar a tarifa? Esta constatação pode ser a razão da preferência por usar hidráulicas além do razoável. O que reforça essa tese é que, depois da edição da MP 579, o despacho de térmicas se alterou bruscamente [...] Isso nos leva a entender que a “independente” MP 579 parece estar umbilicalmente conectada à crise atual. A atual crise, na melhor das hipóteses, vai nos deixar dívidas bilionárias e está originada na expansão feita com leilões genéricos, que teoricamente fariam com que nossa matriz fosse decidida por concorrências. Em vez de reconhecer que temos capacidade para definir o tipo de usina de que o sistema precisa, preferiu-se deixar o mercado deliberar através de um contestável índice custo benefício. Um dos resultados foi a contratação de caras térmicas a óleo combustível, cuja garantia física é contabilizada na oferta, mas, na maioria do tempo, são as hidráulicas que geram no lugar delas. Ou tomamos coragem para reexaminarmos o modelo, entendendo melhor as nossas singularidades e enfrentando a questão da carga tributária sobre a energia, ou logo teremos outras surpresas.

D'Araújo, Roberto de. Contas simples revelam coincidências estranhas

Revista Brasil Energia. Ano 33, nº42, maio de 2014.

Analise as afirmativas a seguir.

Considerando que o jornalista deve entender o conteúdo para dar a forma a um texto sobre o tema em questão, cabe dizer que o autor:

I. propõe uma discussão do modelo energético e considera que apenas um dos tipos de usina, termoelétrica ou hidráulica, seja adotado como sistema de energia brasileiro.

II. critica tanto os critérios adotados para a publicação da MP 579, quanto os efeitos por ela causados no sistema energético e na carga tributária.

III. não conclama para a definição de um modelo de energia para o país, nem aponta que a crise tende a se agravar.

IV. apresentou um texto de opinião que, no contexto jornalístico, é chamado de jornalismo opinativo.

Marque a alternativa CORRETA.

 

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