Ao professor de ensino religioso compete desenvolver um processo de ensino e aprendizagem que leve o aluno à apreensão de conteúdos de cunho científico, assim como cabe a esse educador a tarefa de conduzir o discente a uma formação de si mesmo, de sua consciência moral e de sua espiritualidade. Nesse sentido, o professor de ensino religioso brasileiro deve se guiar não somente pela legislação que normatiza e regulamenta a disciplina, mas, sobretudo, pela consciência ético-moral em que tal disciplina se dimensiona para além da doutrina de uma determinada religião e/ou instituição religiosa. Em síntese, esse professor não exerce uma atividade catequética, deve, assim, estar atento aos objetivos científicos da disciplina e às diversidades de crenças e de concepções dos alunos, e oportunizar a eles a capacitação para a crítica racional, sem deixar que se perca a dimensão da fé, que sustenta a moral dada pelas religiões, se isso for possível.
Segundo David Hume, na sua obra História Natural da Religião, seção 14, a má influência das religiões populares sobre a moralidade corrobora essa perspectiva, ao afirmar que “não é suficiente observar que em todos os lugares as pessoas rebaixam suas divindades até torná-las semelhantes a si mesmas, e que as consideram simplesmente uma espécie de criaturas humanas de algum modo mais poderosas e inteligentes. Isso não eliminará a dificuldade, pois não existe homem nenhum tão estúpido que não estime, a julgar por sua razão natural, que a virtude e a honestidade são as qualidades mais valiosas que uma pessoa pode possuir. Por que não atribuir o mesmo sentimento à divindade? Por que não fazer que toda religião, ou sua parte principal, consista nessa realização?” Hume ainda sustenta que “não é satisfatório dizer que a prática da moralidade é mais difícil que a da superstição – e é, portanto, rejeitada. Pois – para não mencionar as penitências excessivas de Brachmans e de Talopins – é certo que o ramadã dos TURCOS, durante o qual os pobres infelizes, dia após dia, frequentemente, nos meses mais quentes do ano, e num dos climas mais quentes do mundo, permanecem sem comer nem beber, do nascimento ao pôr do sol – é certo, dizia eu, que o ramadã deve ser muito mais severo que a prática de qualquer dever moral, mesmo para os homens mais corrompidos e depravados. As quatro quaresmas dos MOSCOVITAS e as austeridades de alguns católicos romanos parecem mais desagradáveis que a brandura e a benevolência. Em suma, toda virtude, quando nos reconciliamos com ela sem muito esforço, é agradável. Toda superstição é quase sempre odiosa e opressiva” (HUME, 2005).
Tendo como base o trecho acima, Hume considera que: