Leia com atenção o texto abaixo para responder às questões 31 e 32.
Da necessidade humana de evoluir científica e tecnologicamente nascem os computadores e as redes de internet, que se popularizam entre os séculos XX e XXI. Para alguns pesquisadores da literatura digital, os textos de circulação no meio impresso que, ao serem digitalizados, passam a fazer parte do ambiente virtual e ganham materialidade não mais apenas no papel, mas, principalmente, nas telas, não devem ser interpretados necessariamente como ciberliteratura. Hayles, (2009), observa, porém, que não há mais como pensar em produção literária separadamente da instância digital, uma vez que os processos de impressão da atualidade passam antes pelo meio digital de produção e armazenamento:
A textualidade impressa e a eletrônica se interpenetram profundamente. Embora textos impressos e a literatura eletrônica – isto é, a literatura que é “digital de nascença”, criada e concebida para ser executada em mídia digital – tenham funcionalidades significativamente diferentes, elas são mais bem consideradas dois componentes de uma complexa e dinâmica ecologia de mídia. (HAYLES, 2009, p. 163-164).
Desse modo, considerando a afirmativa acima, é possível pensar que, apesar de serem literatura digital e literatura digitalizada constituições diferentes, não se pode mais separá-las. Santaella (2012a) também delimita o que avalia como a diferença entre literatura eletrônica que “nasce da transposição do impresso para o digital” e a literatura genuinamente digital, “aquela que nasce no digital”. Para a autora, a causa da não definição de tal diferença seria devido ao abandono à história e à historicidade das preocupações relativas à evolução dos diferentes tipos de linguagem, inclusive a da literatura digital. Para a autora, ao longo da história da evolução do espaço virtual e seu povoamento literário, foram atribuídas diferentes nomenclaturas à literatura digital, contudo, o importante é ater-se ao fato de que literatura digital é aquela que nasce no meio digital, reitera. Ainda que por um viés mais relativo à estética que caracteriza o texto literário, Sales (2008) corrobora com Hayles e Santaella, há pouco citadas, no que tange à ideia da gênese literária em meio digital, todavia restringe ainda mais a ideia de literatura nesse mesmo círculo ao afirmar que ela seria aquela que nasce em meio digital e pode ser lida apenas na tela do computador. Assim, como em outros momentos da história, modificar e ressignificar a dinâmica da leitura requer capacidade de aceitação do novo e uma evolução que diz respeito não apenas a uma mudança de forma, mas a passagem de um estado de conhecimento a outro.
De maneira geral, parte da sociedade, seja por falta de acesso, seja por resistência ou necessidade de adaptação, ainda não aderiu ao livro digital, por exemplo, agarrando-se às tradições da literatura que antecederam a escrita eletrônica. É possível compreender a resistência dos leitores do campo literário ao texto virtual, mesmo entre os mais ávidos e fiéis a leitura, porque ler virtualmente significa ter que ativar pontos cognitivos até então adormecidos. Santaella (2004) formula reflexões sobre os leitores das multiplicidades de textos urbanos, das propagandas, outdoors, painéis eletrônicos, manchetes, cores, televisores, etc. Segundo ela, dessas múltiplas possibilidades, o leitor viu ainda saltar o texto escrito em papel para a telas eletrônicas, mas, dessas telas, o texto passou a transitar pelas vias eletrônicas, exigindo do leitor que ele se constituísse “em um novo tipo de leitor que navega nas arquiteturas líquidas e alineares da hipermídia no ciberespaço” (SANTAELLA, 2004, p. 18). São muitas as mudanças e, consequentemente, as adaptações cognitivas necessárias para compreender o texto literário digital. O leitor do texto digital, atualmente, orienta-se entre os nós e nexos do texto em qualquer lugar em que esteja, graças a mobilidade dos equipamentos eletrônicos, como os dispositivos móveis, porém, esse mesmo leitor que se conecta ao texto virtual em qualquer lugar em que esteja não perde o controle da sua presença e do seu entorno no espaço físico. O texto digital representa novas formas que agregam som, imagens moventes, intuição, interação, compreensão de diferentes vozes em um mesmo texto que pode ser ou não traçado de forma colaborativa ou autônoma por esse sujeito leitor, que agora divide a sua atenção entre todos esses elementos do texto virtual com o seu entorno. Certamente, a geração que desperta com mais essa habilidade em relação à leitura, o que Santaella (2014) apresentou como mais um desafio para a educação, a leitura ubíqua. (MATSUDA, A.A; GOMES, R.G. Ciberpoemas e Leitura em Caparelli.com.br. Revista Asas da Palavra, v. 17, n. 1, Jan./Jun. 2020).
No enunciado “Certamente, a geração que desperta com mais essa habilidade em relação à leitura, o que Santaella (2014) apresentou como mais um desafio para a educação, a leitura ubíqua ”, de acordo com o contexto, a palavra sublinhada significa leitura