Leia o texto para responder às questões de números 54 a 57.
Sincerão, Rodolfo
— Beijo na Nilze, Rodolfo, até!
— Até! Cê vai como?
— Tô chamando um Uber, aqui.
— Imagina, te dou uma carona.
— Não precisa, ó, dá R$ 6,80, só/
— Na na na na na, é meu caminho/
— Rodolfo, mesmo, eu/
— Faço questão!
— Mas/
— Te deixo em casa! Vai! Entra aí!
Silêncio.
— Não me leva a mal, tá, Rodolfo? É que se eu pegar um Uber eu ouço um podcast e em dez minutos sei tudo sobre a era Vargas ou um vulcão na Islândia ou a origem das mitocôndrias, ou então eu fico escarafunchando o Twitter, o Insta, o FB, vejo a Isis Valverde fazendo ioga e o Tim Burton brincando com um iguana e dou like em foto de filho de ex-colega da quinta série que eu não vejo faz trinta anos e isso me relaxa, Rodolfo, é tipo um crochê, um jogo de paciência, uma meditação. Esse Uber é basicamente o único momento do dia que eu tenho pra mim, Rodolfo. Você quer me roubar esse momento, Rodolfo?
(Antonio Prata, “Sincerão, Rodolfo”.
Folha de S.Paulo, 08.09.2019. Adaptado)
Com base em Koch e Elias (2011), o segmento que toma as dez primeiras linhas do texto faz um simulacro de oralidade. Entre as características da linguagem falada, estão presentes nesse trecho: