COM BASE NO TEXTO VI, RESPONDA S QUESTÕES 16 E 17.
Texto VI
Eu tinha nove ou dez anos, e uma tia, que era pintora, me convidara para ir ao seu ateliê
para conhecer o local onde ela trabalhava. O pequeno aposento estava frio e tinha um cheiro
maravilhoso de terebintina e óleo; as telas armazenadas, apoiadas uma nas outras, me
pareciam livros deformados no sonho de alguém que soubesse vagamente o que eram livros e
5os houvesse imaginado enormes, feitos de uma única página, dura e grossa [...].
Francis Bacon observou que, para os antigos, todas as imagens que o mundo dispõe
diante de nós já se acham encerradas em nossa memória desde o nascimento. “Desse modo,
Platão tinha a concepção”, escreveu ele, “de que todo conhecimento não passava de
recordação; do mesmo modo, Salomão proferiu sua conclusão de que toda novidade não passa
10de esquecimento”. Se isso for verdade, estamos todos refletidos de algum modo nas
numerosas e distintas imagens que nos rodeiam, uma vez que elas já são parte daquilo que
somos: imagens que criamos e imagens que emolduramos; imagens que compomos fisicamente,
à mão, e imagens que se formam espontaneamente na imaginação; imagens de rostos, árvores,
prédios, nuvens, paisagens, instrumentos, água, fogo e imagens daquelas imagens — pintadas,
15 esculpidas, encenadas... Quer descubramos nessas imagens circundantes lembranças
desbotadas de uma beleza que, em outros tempos, foi nossa (como sugeriu Platão), quer elas
exijam de nós uma interpretação nova e original, por meio de todas as possibilidades que
nossa linguagem tenha a oferecer, somos essencialmente criaturas de imagens, de figuras.
(MANGUEL, Alberto. Lendo imagens. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 19-20.)
As orações adjetivas cujo conteúdo é relevante para a identificação da entidade, ser ou objeto a que se refere o antecedente do pronome relativo chamam-se restritivas [...]. Quando, entretanto, o conteúdo da oração adjetiva não contribui para essa identificação, dizemos que a oração adjetiva é não restritiva (ou explicativa).
(Azeredo, José Carlos de. Gramática Houaiss da língua portuguesa. 1.ed. São Paulo: Publifolha, 2008. p. 319-320.)
Ao longo do Texto VI, observam-se algumas ocorrências de orações adjetivas.
No período “Eu tinha nove ou dez anos, e uma tia, que era pintora, me convidara para ir ao seu ateliê para conhecer o local onde ela trabalhava.” (l. 1 e 2), a oração adjetiva destacada estabelece com o vocábulo “tia” uma relação semântica de