Magna Concursos
3463371 Ano: 2020
Disciplina: Português
Banca: UFRGS
Orgão: HCPA

O primeiro poema em Língua Portuguesa foi, na verdade, uma cantiga: a Cantiga da Ribeirinha, que marcou o início do Trovadorismo, movimento considerado a primeira escola literária portuguesa entre os séculos XII e XIV. De lá para cá, nasceu a literatura brasileira com formatos, escolas e movimentos próprios, mas sem perder o DNA de confabular com outras artes.

“Sempre houve diálogo e contaminação entre as artes. E a poesia vive desde sempre uma relação umbilical com a música. No entanto, acho que desde o início do século XX esse diálogo(a) está na ordem do dia, no centro da preocupação dos artistas. E isso se deve em muito à consciência do limite da linguagem verbal”, concorda Ricardo Lísias, escritor e professor de literatura.

Do seu ponto de vista, o diálogo com outras artes começa ou se intensifica quando os escritores mais conscientes do seu ofício percebem com clareza as deficiências e as dificuldades que a expressão verbal impõe. Assim, como a ferramenta de trabalho é limitada – “a linguagem não abarca o mundo”, ele diz –, escritores tendem a procurar outros caminhos que possam auxiliá-los a expressar tudo de que necessitam. O diálogo então é acirrado quando entra em crise não apenas a forma de expressão, mas as próprias definições de gênero literário e, depois, artístico. Os autores tendem, assim,(II) a fugir de prisões de toda ordem e passam a trabalhar com várias ferramentas diferentes. É um sinal e uma consequência ao mesmo tempo da crise que a literatura em particular e as artes em geral têm vivido desde o começo do modernismo, no final do século XIX. “A poesia soube trabalhar muito bem com essa indeterminação de linguagens e depois de gêneros. A prosa, com um pouco mais de dificuldade, mas parece estar também se afinando a isso”, afirma o escritor.

Em consonância à ideia de crise, o sociólogo, escritor e professor Muniz Sodré recorre ao pensamento do russo Pitirim Sorokin em defesa da teoria de um ponto de saturação, que as artes – inclusive a literatura – também teriam alcançado nas últimas décadas: “Assim como a água atinge um ponto de ebulição quando ferve, isso acontece em qualquer coisa, na sociedade e nas artes também.”

Em relação à busca de novos caminhos artísticos e sobre a mistura de linguagens, o professor lembra que há dois aspectos separados:(III) por um lado, há o escritor que dá um salto para outra prática artística, isto é, outra forma específica, como Tony Bellotto e Chico Buarque, que tanto escrevem livros quanto fazem música; e, por outro lado, há a mistura de linguagens da mesma forma expressiva, como o filme Lavoura arcaica, de Luiz Fernando Carvalho, que não apenas é baseado no livro homônimo de Raduan Nassar, como se manteve o mais fiel possível à narrativa literária.

De uma forma ou de outra, Sodré descreve todos esses movimentos como matéria de uma hibridização dos diversos espaços sociais, artísticos e filosóficos. “As ciências já praticam isso.” Para ele, o espírito do tempo – em alemão zeitgeist, conceito popularizado pelo filósofo Hegel – é da ordem do híbrido, e o híbrido está cada vez mais valorizado por aqueles que certificam a arte, isto é, os críticos. “Não há nenhum objeto por si só. A arte acontece, subjetivamente, nos olhos de quem vê. E quem vê hoje está atribuindo valor à hibridização.”

Adaptado de: MICHALSKI, J. Vire o verso: da integração da literatura com outras artes e vice-versa.

Disponível em: http://www.sesc.com.br/portal/site/palavra/ensaio/ensaios_ interna/vire+o+verso.

Acesso em: 09 dez. 2019.

Considere as seguintes afirmações sobre o texto.

I - A expressão esse diálogo desempenha a função de sujeito.

II - A expressão assim desempenha a função de adjunto adverbial.

III - A oração que há dois aspectos separados desempenha o papel de uma oração subordinada substantiva objetiva direta.

Quais estão corretas?

 

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