Magna Concursos
4216299 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: DIRENS Aeronáutica
Orgão: EPCAR
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TEXTO III

A tirania da produtividade

Ronaldo Nezo

Vamos combinar uma coisa: estar sempre ocupado é

ótimo, não é? É a nossa medalha de honra no século 21. A

gente exibe a agenda lotada como se fosse um troféu de

campeão mundial. A gente fala da nossa “correria” com um

certo orgulho, como se dissesse: “Vejam como eu sou

importante, como sou necessário”.

A ocupação virou a desculpa perfeita para tudo.

“Não posso ir, tô numa correria.” “Não te liguei de volta,

o dia foi uma loucura.” “Não brinquei com você, filho, porque

o papai tinha muito trabalho.”

A vida apressada virou justificativa pra tudo. Estar

ocupado se tornou nosso escudo. Nosso salvo-conduto para

uma vida de desconexão.

Parece até que gostamos dessa loucura toda. Na

verdade, tenho a impressão que a gente sente certa

vergonha de dizer: estou tranquilo, agenda calma…

Mas… escuta o Ronaldo: já parou pra pensar no que

realmente significa essa vida sempre ocupada? E se essa

armadura de “pessoa importante e ocupada” for, na verdade,

uma prisão?

E se, por trás do nosso orgulho de sermos “produtivos”,

a gente estiver escondendo um medo terrível? Se tudo não

passar de uma espécie de estratégia inconsciente de nos

sentirmos importantes? E não passar de um pânico de ficar

em silêncio? Um pavor de encontrar a única pessoa da qual

a gente não consegue fugir: nós mesmos?

Dias atrás, falava sobre isso em sala de aula e uma

aluna comentou: “ah… professor, não dá. Não consigo ficar

sozinha com meus pensamentos. Se fizer isso, enlouqueço.

Preciso me ocupar”.

Pois é, gente… Essa necessidade de preencher cada

segundo do dia com uma tarefa, com uma notificação, com

um podcast, com um problema para resolver, muitas vezes

não é sinal de sucesso. É sintoma de ansiedade. É o medo

do vazio. É o medo de encarar as perguntas que a nossa

alma só faz quando a gente aquieta o barulho de fora.

E a gente paga um preço caríssimo por essa fuga. As

grandes ideias, os insights que mudam o rumo da nossa

vida… eles não nascem no meio do furacão de tarefas.

Ninguém dá sequer de conhecer a si mesmo, de olhar para

dentro de si, se não acalmar a mente. O processo de

introspecção precisa da calmaria, precisa do tédio. E a

nossa cultura parece odiar o tédio. Nós declaramos uma

guerra implacável ao tédio. Mal sabemos que, ao fazer isso,

estamos bombardeando nossa capacidade de pensar

criativamente, de refletir, de elaborar as próprias ideias.

Então, como a gente sai dessa prisão? Como a gente

para de ser escravo da própria produtividade? A resposta

não está em um novo aplicativo de organização. A resposta

está em pequenos e corajosos atos de rebeldia.

O primeiro ato de rebeldia: roube de volta 10 minutos

do seu dia. Dez minutos para não fazer absolutamente nada.

Sem celular, sem música, sem livro. Apenas você e sua

respiração, olhando pela janela. No começo, vai ser uma

tortura. Sua mente, viciada em estímulos, vai gritar por

distração. Mas se você insistir, depois de alguns dias, algo

incrível acontece. Vem a paz. Vem a clareza.

O segundo ato de rebeldia: pratique o “monotasking” –

a arte esquecida de fazer uma coisa de cada vez. Vai tomar

seu café? Tome só o café. Sinta o gosto, o cheiro, a

temperatura. Sem ler mensagens de whatsapp, sem ver o

Instagram, sem ouvir notícia. É um treino poderoso para

trazer sua mente de volta para o presente, o único lugar

onde a vida realmente acontece.

O terceiro ato de rebeldia: trate o descanso com a

mesma seriedade de uma reunião de negócios. Agende o

ócio. Proteja seu tempo livre como um leão. Dizer “não” a

um compromisso para poder descansar não é preguiça. É

estratégia de sobrevivência para a sua saúde mental

Pegou a ideia?

A verdadeira força no mundo de hoje não é aguentar a

agenda mais cheia. É ter a coragem de esvaziá-la um pouco.

Produtividade não é fazer mais coisas; produtividade é fazer

as coisas certas. E isso só é possível para quem tem a

ousadia de, de vez em quando, simplesmente parar.

NEZO, Ronaldo. A Tirania da produtividade. Saúde emocional, 03 set. 2025. Disponível em: https://blogdoronaldo.wordpress.com/2025/09/03/a-tirania-da-produtividade. Acesso em: 19/11/2025.

Leia o trecho a seguir.

“Parece até que gostamos dessa loucura toda. Na verdade, tenho a impressão que a gente sente certa vergonha de dizer: estou tranquilo, agenda calma…”   (Texto III, l. 14-16)


Na transcrição acima, há incorreção gramatical na relação

 

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