Em um município da Baixada Fluminense, mães de crianças menores de seis anos relataram grande dificuldade no acesso a especialistas em saúde mental, atendimentos rápidos e com pouca troca de informações, além de prescrições frequentes de psicotrópicos, muitas vezes em doses altas para a faixa etária. Todas as crianças foram diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) após consultas breves, e as mães relataram sobrecarga, frustração com a medicação e ausência de orientações claras.
Segundo o estudo de Zen (2024), as intervenções não farmacológicas, especialmente fonoaudiologia e terapia ocupacional, foram apresentadas pelos profissionais como a “grande solução”, mas a maioria das famílias não conseguiu acesso a elas devido à indisponibilidade na rede pública e ao custo elevado. A falta de suporte estatal, a precariedade material e a sobrecarga do cuidado contribuíram para que o uso de medicamentos se tornasse, para muitas famílias, uma alternativa desesperada.
Fonte: ZEN, Daniel. “A culpa é da mãe?”: vozes de mulheres de um município da Baixada Fluminense sobre a prescrição de psicotrópicos para seus filhos pequenos. 2024. 143 f. Dissertação (Mestrado em Saúde Coletiva) — Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2024.
Com base no cenário apresentado, sobre um dos princípios fundamentais para a atuação do fonoaudiólogo na interface entre Fonoaudiologia e Saúde Mental, é CORRETO afirmar que: