Um mar de fogueirinhas
(inspirado em Eduardo Galeano)
Diz-se que um homem, ao olhar o mundo do alto, enxergou a vida humana como um imenso campo
iluminado e contou que somos todos fogueirinhas.
Cada pessoa carrega uma chama única, que arde de um jeito só seu. Não existem duas fogueiras
iguais. Algumas brilham serenas, aquecendo quem se aproxima. Outras tremulam intensas, lançando faíscas ao
redor. Há fogueiras pequenas, quase invisíveis, que sustentam a noite com sua presença silenciosa. E há aquelas
que incendeiam a vida com tanto fervor que é impossível não se deixar tocar por sua luz. Nenhuma dessas
chamas, porém, se mantém acesa sozinha.
O vento pode soprar forte, a chuva pode ameaçar apagar, o frio pode querer dominar. É no encontro
das fogueiras que nasce a verdadeira força: uma chama aquece a outra, uma brasa protege a vizinha, um fogo
inspira o outro a continuar aceso.
Quando uma chama tenta apagar outra, o campo todo se torna mais escuro. Quando uma fogueira
se recusa a compartilhar seu calor, o frio se espalha. Quando uma fogueira tenta ser maior do que a outra, um
incêndio se inicia, mas, quando as luzes se reconhecem como parte de um mesmo clarão, a noite inteira se
ilumina.
Autor desconhecido
Em “Quando uma fogueira tenta ser maior do que a outra” (l. 12), o adjetivo grifado está no grau: