Texto para as questões 3 e 4:
“O MERCADO MANDA MESMO?
Quem se dedicar hoje a ler todos os livros, manuais e artigos sobre o que é ser um ''bom profissional'' certamente vai desistir de tentar qualquer emprego. Em primeiro lugar, as descrições que encontramos são sempre de ''super-homens'', que nunca têm estresse, não se cansam, são capazes de infinitas adaptações, nunca brigam com a família... Ou seja, não é descrição de gente. Em segundo lugar, o conjunto dessas fórmulas é francamente contraditório. O que uns dizem que é bom outros acham que não. É como se cada autor, cada consultor, cada articulista pegasse uma ideia, transformasse em regra e quisesse aplicá-la a todos os seres humanos, de qualquer sexo e de qualquer cultura.
Não é preciso muita sociologia para perceber que esse emaranhado todo, ao pretender indicar o bom caminho para o profissional, desenha uma espécie de ''tipo ideal'' de trabalhador para as necessidades do mercado. E como o próprio mercado é todo cheio de ambiguidades e necessidades que são contrárias umas às outras, o que sobra para nós é uma grande perplexidade.
Então que tal parar um pouco de pensar no mercado e pensar em você mesmo? Qual é o ''algo a mais'' que você, com sua personalidade, suas aptidões, seu jeito de ser, qual é esse ''algo'' que você pode desenvolver? É preciso saber que formação é a mais adequada para você, não a formação mais adequada para o mercado. As diferentes cartilhas, as diversas teorias, as fórmulas mágicas servem apenas para tentar conduzir todo mundo para o mesmo lugar. O desafio é sair desse lugar e se tornar alguém incomum, de acordo com seus desejos e interesses. Então, não será apenas uma questão de ''empregabilidade'', como dizem, mas de vida.
Pode até não parecer, mas nós somos seres humanos, com dignidade. No mercado, há obviamente mercadorias, simplesmente com preço. E fazer o melhor por si mesmo, e não pelo mercado, é algo que não tem preço.”
(FOLHA DE SÃO PAULO - Especial: Empregos - texto adaptado)
Na apresentação do texto, percebe-se que a temática central gira em torno de uma oposição, que é: