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1557166 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: IMA
Orgão: Pref. Tomé-Açu-PA
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AS QUESTÕES DE 21 A 38 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO



TEXTO I


1 A importância de pensar a articulação entre os conceitos de ócio, tempo livre e lazer no

2 contexto atual se deve, principalmente, ao fato de o trabalho - que ocupou o lugar de atividade central na

3 inserção social e constituir fator fundamental da produção subjetiva ao longo da sociedade moderna - ser

4 questionado como atividade dominante. Essa referência de dominância está caracterizada,

5 principalmente, por ser a atividade laboral o elemento que demarca a estruturação dos quadros

6 temporais das sociedades Pós-Revolução Industrial, tal como afirma a sociologia do tempo e, de forma

7 destacada, os teóricos contemporâneos dos tempos sociais (Roger Sue, Gilles Pronovost, Giovanni

8 Gasparini, Ramos Torre, dentre outros).

9 A partir das teorias dos tempos sociais, surge, então, uma pergunta que parece crucial para

10 reiterarmos a importância de caracterizar esses três conceitos, a saber, ócio, tempo livre e lazer.

11 Considerando que, ao longo da sociedade industrial, foi o trabalho a atividade que ocupou a centralidade

12 na organização da temporalidade social, seria o ócio a atividade que ocuparia na sociedade pós13 industrial o lugar que foi ocupado pelo trabalho na sociedade industrial? A atividade social e o tempo

14 que a demarca precisam ser postos em discussão para que tenhamos elementos para a formulação de

15 uma análise crítica do contexto social em que hoje vivemos.

16 O fator temporal passa por metamorfoses significativas, iniciadas no momento em que o

17 homem resolve medir o tempo cotidiano e quantificar o tempo social na sociedade industrial, chegando

18 à comercialização do próprio tempo, que se torna uma mercadoria e passa a ter valor econômico.

19 Neste espaço, surge a pressa como um fenômeno típico da atualidade e como mola mestra para

20 os avanços tecnológicos que fabricam equipamentos para se poder ganhar mais tempo.

21 Os telefones celulares, o fax, o pager, a internet, entre outros, são mecanismos que marcam essa

22 busca incessante por mais tempo, porém, paradoxalmente, o homem termina por preencher esse tempo

23 disponível com mais atividades e afazeres.

24 No caos entre necessidades econômicas e existenciais, o homem contemporâneo se vê dividido

25 entre as obrigações impostas por suas atividades laborais e o desejo de libertar-se dessas tarefas e,

26 assim, poder usufruir um tempo para si.

27 No entanto todo processo de educação/formação/orientação da sociedade moderna gerou os

28 valores da atual sociedade do consumo, não contempla a orientação para ser/existir num tempo de "nada

29 fazer".

30 A maior ou a menor variação desse tempo na vida dos indivíduos organiza-se e estrutura-se de

31 acordo com padrões assimilados sobre como se deve dispor o tempo para as diversas atividades, além de

32 como o sujeito valora o sentido do tempo cotidiano para si. Desta maneira, as diferentes formas de

33 sentir, pensar, agir e estabelecer o tempo seguem padrões culturais que se refletem na ação do sujeito.

34 [...]

35 O tempo livre e o ócio são tomados, muitas vezes, como fazendo referência a um mesmo

36 fenômeno social. Não obstante, são conceitos que têm naturezas distintas. O tempo livre,

37 especificamente, é um conceito que remete a muitos equívocos, pois, ao referir-se ao qualificativo 'livre',

38 pressupõe diretamente uma alusão a um tempo de 'não-liberdade' ao qual se opõe. Tempo livre de quê?

39 Poderíamos perguntar. Em realidade, a denominação de tempo livre, apesar de ser considerada desde os

40 antigos gregos, adquire relevo a partir de sua oposição à concepção moderna de trabalho. Essa noção de

41 um tempo livre do trabalho conduz a uma concepção negativa deste último, ou seja, faz sobressair o

42 caráter impositivo da atividade laboral. Há que reconhecer que o tempo livre, no contexto atual, é uma

43 referência temporal e implica uma divisão da 'unidade' do tempo que se opõe ao tempo de trabalho.

44 Ainda que para muitos o tempo livre seja tomado como uma atividade, ele, a diferença do ócio,

45 é uma referência temporal, que adquire, pelo qualificativo 'livre', uma complexidade que o faz

46 confundir-se com ação.

47 Essa concepção é importante, pois, se a partir da modernidade a ideia de tempo livre passa a ser

48 mais difundida, a referência anterior, mais genérica, era de ócio. Historicamente e pelo critério de

49 atividade, é o ócio que se opunha ao trabalho.

50 O tempo livre, tal como o concebemos hoje, adveio da natureza cronológica que atinge o

51 apogeu pós-revolução industrial. É da liberação do tempo que devia ser dedicado ao trabalho, que

52 emerge a noção do tempo livre. Aí estão implicadas algumas variáveis. A primeira delas é que a

53 liberdade, tomada como exercício temporal, não podia ser exercida no trabalho, pelo menos na

54 concepção de trabalho industrial, uma vez que a organização produtiva pressupunha uma sincronização,

55 que ainda não havia sido experimentada de forma generalizada em outros momentos da história. A

56 segunda é que a liberdade de constituir-se como sujeito estava limitada pelo processo de alienação

57 imposto pela produção capitalista. Como destaca Bacal (2003), o tempo livre surge da liberação de

58 parcelas de tempo do trabalho, quando poderiam ser desenvolvidas atividades relacionadas à

59 sobrevivência física e social do indivíduo, mas, ainda assim, atreladas à noção do trabalho.

60 Na Antiga Grécia, trabalho e ócio figuravam como conceitos antagônicos e com valores muito

61 distintos dos que se conhecem hoje. Se, hoje, a temporalidade é o recurso da cisão entre trabalho e 'não62 trabalho', ali, segundo Aristóteles, o ócio era um estado, ou seja, era uma condição de liberdade relativa

63 à necessidade de trabalhar. O tempo livre, a partir do seu viés industrial, dá passo também ao

64 surgimento da compreensão do lazer, que passa a ser concebido como uma atividade que tem sua base

65 ancorada na existência de um tempo livre, fomentado e reconhecido legalmente, e que poderia ser

66 exercido autonomamente pelos trabalhadores, tendo por base sua condição socioeconômica e seus

67 valores sociais.

68 É na articulação do lazer ao contexto da sociedade industrial, que há uma forma de 'subversão'

69 de valor da atividade. Se há, para alguns, uma identidade absoluta entre a noção de lazer e ócio, talvez

70 se instaure no elemento da autonomia o diferencial entre essas duas categorias, pelo menos na mediação

71 do tempo como elemento articulador. Não há no ócio qualquer conotação de atividade que persiga outro

72 fim. O ócio é a atividade que traz em si a própria razão do seu fim.

A oração que foi introduzida por um termo que conota conformidade é

 

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