Todos sabemos o que a existência da Amazônia significa para o Brasil. No entanto, a marca ou a presença do Brasil na Amazônia não tem significado tão claro.
É uma região que tem sido explorada e pilhada. Por onde passam o progresso e o homem, a civilização deixa a terra arrasada. Mais de uma cultura de mercado substitui a floresta que é derrubada. A flora local, a exuberância da paisagem, o verde do cenário, tudo sugere ao explorador uma colheita generosa e produtiva. Nada mais falso. Uma e outra impressão criam ilusões: a terra é pobre e a colheita, mesquinha.
Ignorante e prepotente, o civilizado com suas máquinas reage à derrota com novas devastações. Busca-se no solo o impossível, o sonho. Abre-se a terra. Aglutina-se assim a miséria. Reúnem-se os homens, localizam-se os conflitos, aumenta-se a violência e se sucedem tragédias e comédias. Doenças, miséria, prostituição se confundem na paisagem. Isso serão os sinais de progresso?
A milenar cultura da terra, que aprendeu a extrair da natureza sustento, proteção e cura, é perseguida. A memória é cancelada. A identidade, repudiada. Sai o cupuaçu, entra a Coca-Cola.
(Ciência Hoje, nº 31 – maio 87).
No período: “Uma e outra impressão criam ilusões: a terra é pobre e a colheita, mesquinha”, o uso dos dois pontos se deu: