O secularismo, o materialismo e o consumismo, como consequências do desenvolvimento da economia capitalista, têm distanciado o homem cada vez mais do divino, do sagrado e das religiões. É notório o crescimento do ateísmo no Ocidente como resultado das mudanças culturais. Nesse sentido, para Abbagnano, “o ateísmo moderno não é a ‘profissão’ de fé numa concepção de mundo oposta àquela centrada na existência de Deus, nem a condenação da religião e da fé, que sobre essa existência se assentam. Ele é sobretudo uma situação cultural, que por alguns é serenamente aceita, por outros, sofrida, e por outros, integrada ou corrigida com novos tipos de fé e de esperança” (MONDIN, 1997, p. 128). Em comum acordo com Abbagnano, Mondin propõe que “o ateísmo, como fenômeno típico da modernidade, como expressão da sua alma, não pode ser gerado por um só organismo da sociedade, por uma única atividade, por uma simples estrutura. Depois da revolução francesa, o ateísmo impregnou a sociedade em todas as suas expressões culturais: é ateísta a política, a cultura, a ciência, a educação, a economia, a filosofia, a moral; são ateus os costumes e os meios de comunicação de massa; são ateias as manifestações públicas e a conduta privada. Todo o ser sociocultural está impregnado de ateísmo, da cabeça aos pés. O ateísmo é, para a nossa sociedade e cultura, aquilo que a religião foi para a sociedade e as culturas que a precederam”. Karl Rehner observou, com justeza, que “Existe hoje algo que jamais houve na história: um ateísmo mundial, espalhado por toda parte, que não é mais atitude de alguns homens, mas um fenômeno social reconhecido em todo lugar como legítimo. Sendo assim, é também um dado, de fato, que entramos numa época fundamental para o cristianismo, e que até agora não tinha acontecido”. A questão que se coloca, em nossos dias, e pesa sobre o processo de ensino é: como ensinar religião, como propagar Deus, como garantir uma vivência moral baseada na vivência religiosa, uma vez que ocorre essa disseminação cultural do ateísmo, essa insignificância do divino substituído pelos bens produzidos pela tecnologia avançada?
O olhar de Mondin direciona-se para a seguinte conclusão: