Com a palavra
Para o cidadão comum, que felizmente não precisa se atormentar com as minúcias do jargão informático, a explosão do texto passa despercebida, pois ela não usa papel. Vagas nuvens de elétrons viajando em alta velocidade substituíram o produto de árvores cortadas entregue por carteiros. Tal revolução não se limita apenas a agradar aos ecologistas ou a diminuir o tamanho dos lixões nas grandes metrópoles. Ela marca a maior mudança ocorrida nos meios de comunicação: as palavras foram desacopladas do papel.
É verdade que o texto, no alfabeto romano, continua sendo composto por 26 letras, como nos tempos de Horácio. Mas ele se libertou da opressão do papel, que o sepultava e distanciava. Hoje, ele se tornou tão pioneiro quanto a mais inebriante novidade da mídia eletrônica.
A reviravolta de hoje está produzindo uma transformação tão radical quanto a que a prensa tipográfica gerou meio milênio atrás. Para começar, estamos demolindo as fronteiras arbitrárias que separavam autor, editor e leitores. Essas categorias não existiam antes da invenção dos tipos móveis, e não sobreviverão a esta década. Tal qual os monges de outrora, que simultaneamente escreviam, editavam e liam, os surfistas da informação digital que hoje consultam bancos de dados eletrônicos desempenham rotineiramente as mesmas funções: pesquisam e selecionam, assimilam, editam e criam seu próprio texto. Só que instantaneamente, e em tempo real. Nos tempos de Gutenberg, o prelo deu vida aos textos e os difundiu, mas com o terrível ônus de torná-los formais e imutáveis — as palavras imobilizavam-se como insetos paleolíticos aprisionados no âmbar. Os leitores sabiam que, no máximo, podiam lê-las. Alterá-las, jamais.
P. Saffo. Veja 25 anos — reflexões para o
futuro. 1993, p. 158-9 (com adaptações).
A propósito da estrutura e das idéias do texto acima, julgue o item a seguir.
De acordo com o texto, a revolução pela qual o texto escrito passou é positiva do ponto de vista da preservação ambiental.