Magna Concursos
4128684 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Leia o soneto do poeta português Luís de Camões.

 

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É um solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

(Luís de Camões. Obra completa, 2003)

 

Em contraste com os demais versos do soneto (enunciados de forma relativamente mais objetiva e neutra), observa-se um índice de subjetividade na enunciação do seguinte verso:

 

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