TEXTO: SEGUNDO POEMA DE MUITO LONGE
Mário Quintana
Havia um corredor que fazia cotovelo:
Um mistério encantado com outro mistério, no escuro ...
Mas vamos fechar os olhos
E pensar numa outra coisa...
Vamos ouvir o ruído cantado, o ruído arrastado das correntes no algibe.
Puxado a água fresca e profunda.
Havia no arco do algibe trepadeiras trêmulas.
Nós nos debruçávamos à borda, gritando os nomes uns dos outros.
E lá dentro as palavras ressoavam fortes, cavernosas como vozes de leões.
Nós éramos quatro, uma prima, dois negrinhos e eu.
Havia os azulejos reluzentes, o muro do quintal, que limitava o mundo.
Uma palmeira enorme e, sempre e cada vez mais, os grilos e as estrela...
Havia todos os ruídos, todas as vozes daqueles tempos...
As lindas e s absurdas cantigas, tia Tula ralhando os cachorros.
O chiar das chaleiras...
Onde andará o pince-nez da tia Tula
Que ela não achava nunca?
A pobre não chegou a terminar a Toutinegra do Moinho.
Que saia em folhetim no Correio do Povo! ...
A última vez que a vi, ela ia dobrando aquele corredor escuro.
Ia encolhida, pequenininha, humilde. Seus passos não faziam ruído.
E ela nem se voltou para trás!
(Antologia Poética. Editora do Autor. Rio de Janeiro, 1966)
Indique nas afirmativas abaixo a alternativa que não corresponde aos três últimos versos do poema: