Provavelmente, nenhuma outra escola linguística, até
Saussure, tinha afirmado com tanta força a separação entre
a dimensão individual e a dimensão social do funcionamento
da linguagem. Seguindo Saussure, os estruturalistas não só
entenderam que seria preciso tratar separadamente do
comportamento linguístico das pessoas e das regras a que
obedece esse comportamento, mas ainda entenderam que o
uso individual da linguagem (a parole) não poderia ser
objeto de um estudo totalmente científico. Chegou-se assim
a uma situação extrema em que toda a atenção foi dedicada
às “regras do jogo”, isto é, ao sistema (à langue), ao passo
que os episódios de seu uso foram relegados a uma
disciplina secundária (denominada às vezes “linguística da
fala”, outras vezes “estilística”), à qual coube a tarefa
“menos nobre” de legislar sobre fatos sujeitos a uma
regularidade precária.
Rodolfo Ilari. O estruturalismo linguístico: alguns caminhos. In: Fernanda Mussalin e Anna Christina Bentes (orgs.). Introdução à linguística: fundamentos epistemológicos. v. 3. São Paulo: Cortez, 2004, p. 59 (com adaptações).