O amor é inventivo e anula os postulados da lógica. Ele tem sua lógica própria, tão válida quanto a outra. E os amantes se entendem sob o signo do absurdo – não tão absurdo assim, como parece aos não amorosos. Já ouvi no interior de Minas alguém chamar seu amor de “meu bicho-do-pé” e receber em troca o mais cálido beijo de agradecimento.
(Carlos Drummond de Andrade, “A estranha [e eficiente] linguagem dos namorados”. Em: As palavras que ninguém diz)
Na passagem – E os amantes se entendem sob o signo do absurdo... –, o pronome destacado tem o mesmo emprego que no enunciado: