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A marca do professor
Lourenço e o pai, Sr. Nicola, saíram para fazer uma visita. Foram recebidos pelo dono da casa, que escancarou a porta e os braços, envolvendo o Sr. Nicola, o qual não era de muitas emoções, sentia as coisas mais por dentro. Mas ficou evidente que estava feliz com o reencontro. O dono da casa, Paulo, dava a impressão de que eram os reis magos chegando.
Paulo devia ter a idade do homem maduro que sua calvície não ocultava. Ele se demorou no abraço afetuoso. Lourenço se surpreendeu no momento em que Paulo, curvando-se para a frente, puxou com delicadeza a mão do Sr. Nicola e a levou aos lábios, beijando-a. Paulo pediu bênção ao pai de Lourenço, que achou estranho, pois até então julgava ser a única pessoa com direito a pedir bênção ao pai.
Pois Paulo, um homenzarrão, não se envergonhava de pedir a bênção ao pai de Lourenço, acrescentando palavras que soaram nítidas:
− A bênção, professor.
Lourenço sentiu que havia entre os dois homens uma ligação que ultrapassava uma amizade. Ele estava diante de um amor de filho para pai. Havia ali um gesto de gratidão, a estima de um antigo aluno por seu velho professor. O pai de Lourenço havia sido professor daquele homem.
Lourenço não sabe se hoje ainda existem laços de afeto tão fortes entre os professores e seus alunos, ou se todo relacionamento se encerra no fim do curso, ou no fim de cada aula. Mas se existe uma criatura que Lourenço respeita até a raiz dos cabelos é o professor. Nenhum país poderá atingir altos graus de civilização e de progresso enquanto o professor não for prestigiado e formado para ser mais do que professor: para ser alguém que, por onde passar, deixará a lembrança e a marca de sua bênção.
(Lourenço Diaféria. In: Redação, Humor e Criatividade. Branca Granatic.1997. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a palavra destacada estabelece, na frase, sentido de modo.