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1635486 Ano: 2006
Disciplina: Português
Banca: IPAD
Orgão: CPRH
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TEXTO 1

Tudo na vida tem um porquê, uma explicação, e se não tiver ela estará desprovida de qualquer lógica para nós. Explicar algo a alguém é, em suma, usar da linguagem, das palavras, para fazer com que o outro entenda o que desejamos. Mas uma criança de 2 ou 3 anos é capaz de compreender tudo que possamos explicar a ela? Não, de forma alguma, por uma simples razão: a capacidade lingüística das crianças nessa faixa etária é bastante precária, limitada a uma série de condições neurológicas sob as quais se coloca o desenvolvimento infantil.

Por sermos humanos, e não máquinas, não existe um dia em que nossas crianças acordam capazes de entender tudo aquilo que desejamos explicar-lhes. Porém, com uma relação saudável entre pais e filhos, em que a criança seja estimulada constantemente, aos 4 anos o seu repertório compreensivo já se tornará bastante grande, e com o passar dos anos será cada vez maior, além de cada vez mais racional e menos emocional.

Quando uma criança comete um desatino qualquer, bate no irmão, arremessa algo contra o rosto da mãe ou se nega a cumprir uma tarefa básica, se coloca a necessidade de dizer para a criança o porquê da não aceitação daquele ato. E se ela é capaz de entender as razões do seu argumento, ótimo! Ao conseguir distinguir a partir de um estado explicativo claro, advindo da figura de autoridade do pai ou mãe, a criança saberá que, se arremessar novamente o prato de comida para longe porque deseja comer no McDonalds, algo acontecerá, está dito, está explicado a ela e pronto.

Os filhos testarão os pais por anos a fio, até o final da adolescência. Tolamente acreditamos que somente durante a adolescência isso ocorre. Na verdade, é papel do ‘ser filho’ desafiar, e é dever dos pais se impor diante dos filhos. Porém não há imposição possível se não houver antes de tudo um porquê que explique e justifique para os filhos as atitudes dos pais, até o limite do que é compreensível para uma criança, e muitas coisas não são nada compreensíveis a uma criança, e mesmo a um adolescente.

Por exemplo, aos 8, 9 anos não há como entender o que é a sexualidade humana. Privar os filhos de verem cenas em novelas ou programas de TV que não podem ser entendidos é dever dos pais; dizer “É não porque é não!” é função dos pais, mesmo que saibamos que para tudo tem que haver um porquê.

Existem vários porquês que só podem ser respondidos no tempo, dado que a maternidade e a paternidade não são a capacidade de tudo explicar, mas, antes, a arte de tudo entender.

Dante Donatelli. Artigo publicado pelo site AOL (www.aol.com.br), em 14/12/2004. Adaptado.

Existem vários porquês que só podem ser respondidos no tempo, dado que a maternidade e a paternidade não são a capacidade de tudo explicar, mas, antes, a arte de tudo entender." Nesse trecho, os termos sublinhados explicitam, respectivamente, as seguintes relações semânticas:

 

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