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Leia o texto para responder às questões de números 01 a 08.


Nos primeiros anos de vida de uma criança, dizem os entendidos, forma-se o seu caráter, criam-se os seus valores, desenha-se o seu perfil no fundo do espelho da vida, aquele que ela vai tentar preencher pelo resto de seus dias.

E isso, sinto muito, não pode ser delegado à escola nem esperado dela. Para aflição dos pais e mães que trabalham o dia inteiro, que chegam em casa exaustos, carregados de conflitos e preocupações, sinto muito dizer: a escola apenas tenta dar alguma continuidade, e olhe lá.

A escola lida com material que chega de casa formatado, embora ainda não definitivamente. O essencial está ali: a confiança ou a incerteza, a capacidade de amar e ser amado ou a hostilidade solitária e assustada, a consciência de certo e errado com sua listinha comportada, ou borrões confusos e incoerentes.

Pouco do que se puder mostrar na escola (valores não se ensinam, se praticam) vai alterar profundamente ou definitivamente a personalidade que ali chega com seus traços fundamentais delineados, sejam os genéticos, sejam os adquiridos na família...

O convívio entre pais e filhos torna-se mais difícil numa sociedade em que pais e mães geralmente precisam trabalhar fora, chegando em casa à noite estressados, sem força para ajudar nos temas, no banho, botar na cama, fazer um carinho, contar uma história ou conversar um pouco. Não tenho receita. Há quem diga que sou pessimista; há quem diga que sou uma incurável romântica. Prefiro pensar que sou uma otimista cautelosa, como alguém já escreveu a meu respeito.


(Lia Luft. A riqueza do mundo. Rio de Janeiro, Record, 2011. Adaptado)

Quando a autora afirma “sinto muito”, no 2º parágrafo, está

 

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