TEXTO III
MINHA VIDA
Três paixões simples, mas irresistivelmente fortes, governaram minha vida: o desejo imenso de amor, a procura do conhecimento e a insuportável compaixão pelo sofrimento da humanidade. Essas paixões, como os fortes ventos, levaram-me de um lado para outro, em caminhos caprichosos, para além de um profundo oceano de angústias, chegando à beira do verdadeiro desespero.
Primeiro, busquei o amor, que traz um êxtase tão grande que sacrificaria o resto de minha vida por umas poucas horas dessa alegria. Procurei-o, também, porque abranda a solidão - aquela terrível solidão em que uma consciência horrorizada observa, da margem do mundo, o insondável e frio abismo sem vida. [...].
Com igual paixão, busquei o conhecimento. Desejei compreender o coração dos homens. Desejei saber por que as estrelas brilham. [...]
Amor e conhecimento, até onde foram possíveis, conduziram-me aos caminhos do paraíso. Mas a compaixão sempre me trouxe de volta à Terra. Ecos de gritos de dor reverberam em meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desprotegidos [...] Anseio ardentemente aliviar o mal, mas não posso, e também sofro.
Isso foi minha vida. Achei-a digna de ser vivida e vivê-la-ia de novo com a maior alegria se a oportunidade me fosse oferecida.
(RUSSEL, Bertrand. Revista Mensal de Cultura. Enciclopédia Bloch, nº. 58, set.1971. p.83.)
Pode-se afirmar que o vocábulo "conhecimento", presente no texto, contém