Leia o texto para responder à questão.
Onde as crianças nascem menos
No Japão, a cada 31 segundos, nasce uma pessoa. A cada 26, morre outra. Ou seja, tem mais gente morrendo que nascendo.
Desde 2007, a população japonesa não para de diminuir. Segundo o governo, de 2011 a 2012, o país perdeu o número recorde de 212 mil pessoas. Nesse ritmo, até 2060, os japoneses, hoje 128 milhões, estariam reduzidos a 86 milhões apenas. Essa tendência está diretamente vinculada à baixa taxa de fertilidade das japonesas. Hoje, a média de filhos por mulher é de 1,39. Para que a população se mantivesse estável, seria necessário que ela alcançasse 2,1.
A redução do número de filhos é explicada, ao menos parcialmente, por razões econômicas. A conjuntura de recessão desencoraja a constituição de novas famílias. As pessoas se casam menos e mais tarde. A manutenção de um filho é cara: em 2009, os cinco primeiros anos de educação infantil custavam cerca de US$ 73 mil, 2,5 vezes mais que nos Estados Unidos, por exemplo.
Além disso, ter filhos dificulta o avanço profissional das mulheres. Como trabalhar 15 horas por dia – coisa comum no Japão – quando se tem criança pequena em casa? Diante desse dilema, um número cada vez maior de mulheres tem priorizado a carreira profissional e decidido não ter filhos.
Com a redução no número de nascimentos e uma das expectativas de vida mais elevadas do planeta, o Japão se transformou no país desenvolvido com a mais alta proporção de idosos. No mercado japonês, vendem-se mais fraldas descartáveis para adultos do que para crianças. Hoje, 24% da população total é de idosos.Em 2060, os idosos serão 40%.
O envelhecimento da população imporá sobrecarga crescente ao sistema previdenciário. Também afetará o nível da produtividade e o ritmo do crescimento. Agora, mesmo que a taxa de fertilidade subisse, tomaria mais de uma geração para que a diferença pudesse ser economicamente verificada.
A incorporação de imigrantes poderia ajudar a compensar o déficit demográfico, mas essa hipótese parece não ser considerada pelas autoridades japonesas. O governo está ciente da questão e estabeleceu um ministério específico para o tema. Algumas políticas vêm sendo implementadas, mas os resultados ficam aquém das expectativas.
A despeito do que faça o governo, é fundamental que a comunidade empresarial reconheça e assuma seu quinhão de responsabilidade. É importante para toda a nação que a cultura corporativa e o ambiente laboral incorporem regras de proteção ao convívio familiar e protejam o avanço profissional das trabalhadoras com filhos. A contribuição que as mulheres japonesas podem dar ao sistema produtivo de seu país, mais do que valiosa, é necessária. Não deve ser desprezada.
(Alexandre Vidal Porto, Folha de S.Paulo, 05.01.2013. Adaptado)
déficit demográfico: diminuição da população
Leia o penúltimo parágrafo para responder à questão.
A incorporação de imigrantes poderia ajudar a compensar o deficit demográfico, mas essa hipótese parece não ser considerada pelas autoridades japonesas. O governo está ciente da questão e estabeleceu um ministério específico para o tema. Algumas políticas vêm sendo implementadas, mas os resultados ficam aquém das expectativas.
Dentre as formas verbais destacadas no parágrafo, aquela que designa uma ação já totalmente concluída no momento em que se fala é: