Atenção: Leia o texto a seguir para responder à questão.
Em um contexto como o que estamos vivendo, em que se valorizam tanto os fins e os objetivos, e em que se propala tanto o
"foco na meta", temos perdido o sentido e o valor do meio do caminho. Estamos sendo tão condicionados a focar nas metas (que, aliás,
na maior parte das vezes nem são efetivamente nossas, mas impostas) que acabamos não valorizando o caminho. Cada vez mais, o
caminho tem se reduzido a mero intervalo de tempo e espaço entre o começo e o fim; entre a definição da meta e seu cumprimento.
Com isso, a existência humana vem empobrecendo e se reduzindo a um simples mecanismo de "desempenho", de "obtenção" de metas,
que, uma vez atingidas, são substituídas por outras, em uma dinâmica insaciável e frustrante. Esse "apagamento" do meio, do caminho,
da via, apresenta-se, a meu ver, como uma das causas mais importantes do desastroso processo de desumanização que estamos
sofrendo, pois a desvalorização do caminho corresponde, em última análise, à desvalorização da experiência. E como é possível a
realização da nossa humanização sem a realização da experiência da vida?
Sem metas, não é possível a nossa autorrealização enquanto seres humanos; porém, sema experiência do caminho tal realização se torna incompleta, vazia e, portanto, falsa. Daí a importância de aprendermos as lições sobre o saber viver o caminho; sobre
o saber viver as experiências que encontramos na via da vida, e nos tornarmos mais humanos com elas e por causa delas.
(Adaptado de: GALLIAN, Dante. É próprio do humano: uma odisseia do autoconhecimento e da autorrealização em 12 lições. Rio de
Janeiro: Record, 2022, edição digital)