Leia o texto para responder as questões a seguir:
Devo confessar que nunca a Festa da Penha me pareceu tão bárbara como este ano. É que esses carros e carroções, enfeitados com colchas de chita, puxados por muares ajaezados de festões, e cheios de gente ébria e vociferante, passeando pela cidade a sua escandalosa bruega; esses bandos de romeiros cambaleantes, com o chapéu esmagado ao peso das roscas, e o peito cheio de medalhas de papel, e beijando a efígie da Senhora da Penha com os beiços besuntados de zurrapa; esse alarido, esse tropel de povo desregrado; - todo esse espetáculo de desvairada e bruta desordem ainda podia compreender no velho Rio de Janeiro de ruas tortas, de betesgas escuras, de becos sórdidos. Mas no Rio de Janeiro de hoje, o espetáculo choca e revolta como um disparate...
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Ainda se a orgia desbragada se confinasse no arraial da Penha! Mas não! Acabada a festa, a multidão desvairada transborda, como uma enxurrada vitoriosa para o centro da urbs - e as facas, as navalhas, os cacetetes, e os revólveres, que não acharam exercício lá em cima, vêm exercitar-se cá embaixo...
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Fonte: Revista Kosmos, nº X, 1906.
"Ainda se a orgia desbragada se confinasse no arraial da Penha! Mas não! Acabada a festa, a multidão desvairada transborda, como uma enxurrada vitoriosa para o centro da urbs"
No trecho destacado da crônica de Olavo Bilac, o uso da palavra urbs em lugar de cidade denota a presença da variante linguística.