Por causa do português muito ruim que eu falava, as aulas eram terríveis. Quase não entendia nada. Matemática, ciências, história ou geografia eram gregos. No entanto, sempre procurava me esforçar ao máximo, porque eu sabia que, se não o fizesse, receberia castigos que eram, às vezes, físicos e, outras, uma penca de exercícios pra fazer em casa. As lições de casa roubavam meu tempo de brincar e me divertir. Havia apenas duas coisas de que eu gostava na escola: as aulas de educação física e a professora de português. A primeira vocês podem entender o porquê, né? Era nas aulas de educação física que eu me vingava dos meus colegas. Eles eram todos muito fracos, lentos, preguiçosos, e eu o mais rápido, o mais preparado, o mais forte. As corridas pela mata, as subidas constantes nos pés de açaizeiro, as braçadas no igarapé e o café da manhã que minha mãe preparava me davam energia de sobra e me faziam ser mais desenvolvido que os frangotes da cidade. Eu procurava mostrar todo o meu vigor nessas horas e meus colegas tinham mesmo que admirar o “bicho do mato”, como diziam.
Daniel Munduruku. Professora de português. Internet:
<www.danielmunduruku.blogspot.com.br> (com adaptações).
Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item.
De acordo com o personagem, ele se destacava nas aulas de educação física porque, além de se alimentar bem, praticava diferentes atividades físicas fora da escola.