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4165650 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: UNIFIPA
Provas:

Para responder à questão abaixo, leia o soneto do poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage.

Quando na rósea nuvem sobe o dia,

De risos esmaltando1 a Natureza,

Bem que me aclare as sombras da tristeza,

Um tempo sensabor2 me principia.

 

Quando, por entre os véus da noite fria,

A máquina celeste observo acesa,

De angústia, de terror a imagens presa

Começa a devorar-me a fantasia.

 

Por mais ardentes preces que lhe faço,

Meus ais não ouve o númen3 sonolento,

Nem prende a minha dor com tênue laço.

 

No Inferno se me troca o pensamento;

Céus! Porque hei-de existir, porquê, se passo

Dias de enjoo e noite de tormento?

 

(Manuel Maria Barbosa du Bocage. Poemas escolhidos, 1974.)

 

1 esmaltar: colorir.

2 sensabor: insípido, desinteressante.

3 númen: ser divino.

 

No soneto, a divindade a quem o eu lírico dirige suas preces é retratada como um ser

 

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