Magna Concursos
2458240 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: SAP-SP

Leia o texto para responder à questão.

Vende-se felicidade

Quando eu era criança, ficava intrigada ao ouvir um adulto dizer que não podia comprar alguma coisa. Pensava sempre com os meus botõezinhos (já bem agitados à época) que aquilo não fazia o menor sentido. Afinal, o que é que custava pegar a caneta e preencher uma das muitas folhinhas do talão de cheques, no valor da mercadoria desejada?

E só não pensava que seria mais fácil ainda passar o cartão de crédito na maquineta da loja (como, imagino, devem cogitar as crianças de hoje), porque esse instrumento de compra ainda não havia sido inventado à época.

Em pouco tempo, percebi que as folhinhas de cheques, em si mesmas, não tinham qualquer serventia. Era preciso trabalhar (e muito!) para que elas adquirissem algum poder de compra.

Essas lembranças da infância me vieram à mente num dia desses, após receber em casa um jornal cuja reportagem de capa trazia a velha pergunta: “O dinheiro compra felicidade?”

Embora o assunto nada tenha de novo, o que me chamou a atenção, nesse caso, foi o resultado da pesquisa feita por uma empresa de consultoria de investimentos em treze países, inclusive o Brasil, em que noventa e três por cento dos entrevistados responderam de forma afirmativa à indagação.

Não discordo dessa maioria esmagadora. Afinal, no mundo em que vivemos, o dinheiro é essencial para se concretizar a maior parte dos anseios, que, em geral, estão mesmo voltados, direta ou indiretamente, à aquisição de bens de consumo.

Inspirada pela reportagem do jornal, fiquei imaginando como nos comportaríamos se, num belo dia, acordássemos com a notícia da promulgação de uma lei determinando a extinção do dinheiro.

No estágio em que estamos, acredito que a novidade, por si só, não nos tornaria consumidores menos ávidos. Porque continuaríamos sujeitos aos bombardeios e apelos diários dos meios de comunicação, que nos impelem a comprar sempre e cada vez mais. Na falta do dinheiro, certamente nos valeríamos de algum mecanismo de troca, a fim de darmos continuidade a todo esse processo de acúmulo de bens.

Cheguei à conclusão, então, de que não é o dinheiro o vilão da história. O problema está em nós mesmos, que, insatisfeitos com aquilo que já temos, criamos novas necessidades a todo o tempo e, a fim de supri-las, consumimos de forma desenfreada e irresponsável. Movidos por desejos que parecem não ter fim, compramos coisas das quais não precisamos, com o dinheiro que muitas vezes não temos. Endividamo-nos, irracionalmente, convictos de que o dinheiro pode mesmo comprar tudo, inclusive a tão sonhada felicidade.

(Sílvia Tibo, http:// www.cronicadodia.com.br. 27.01.2013. Adaptado)

Na passagem do primeiro parágrafo – Pensava sempre com os meus botõezinhos (já bem agitados à época) ... – a expressão entre parênteses tem sentido

 

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