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2075539 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Colômbia-SP
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Eu gosto de observar as pessoas em seus trabalhos eocupações. Uma das coisas que mais me deixa feliz é ver obrilho no olhar e a forma entusiasmada das que trabalhamcom afinco. Quem no dia a dia do trabalho tem essacaracterística comumente consegue se destacar, crescer,subir na carreira e o mais importante, é lembrado por muitotempo pelas pessoas com quem teve contato.
Sou professor há 12 anos e, ainda hoje, quando começauma turma nova, me dá um certo frio na barriga e um poucode nervosismo. E não se trata de insegurança, trata-se devalorização do trabalho. Na minha mente vem aquele desejode passar uma boa impressão e ser cativante para os alunos.E isso dá um pouco de nervosismo. Também já escrevo nainternet há pouco mais de 7 anos, e sempre antes de clicarno botão “publicar” eu leio atentamente o texto, revisoalgumas palavras e ideias. Além disso, sempre me pergunto:“esse texto vai ajudar de alguma forma a quem for lê-lo?Esse texto vai despertar ideias e insights bacanas?”. Sódepois de responder a elas de forma afirmativa é que opublico.
Inúmeras vezes cheguei a escrever textos que estavamprestes a serem publicados e na última hora me veio a negativapara as perguntas formuladas há pouco. E sabe de uma coisainteressante? Esse exercício tem sido para mim como umaespécie de terapia, no qual expresso por escrito parte do queestou sentindo e que está me incomodando. Muitas vezessomos tentados a escrever sobre algo que esteja nos deixandotristes, chateados, irritados ou desesperançosos, etc. Porém, épreciso compreender que, em quase 100% dos casos, o que nosincomoda e chateia, para outras pessoas, pode ser exatamenteo oposto, pode ser motivo de alegria e orgulho.
Em 2019, uma obra magnífica da qual li alguns trechos sechama Crítica da razão pura, do filósofo alemão ImmanuelKant, e nesta obra ele aborda amplamente um conceito famososeu que é o “imperativo categórico”. Sendo bem direto eobjetivo, esse conceito diz: “age apenas segundo uma máximatal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne leiuniversal”. Em outras palavras, se o que eu fizer puder ser feitopor 100% das pessoas, maravilha, então trata-se de algomoralmente correto; se não puder ser feito por 100% daspessoas, é preciso pensar com mais cuidado, com mais cautela,com mais critério, buscando como objetivo que se torne algouniversal.
Eu passei a olhar para o meu dia a dia e para as minhasatitudes com um olhar bem mais ligado após estudar umpouco esse pensador tão revolucionário. Se você observar eler com bastante atenção esse conceito, é possível fazer olink com a seguinte frase de Antonio Meneses: “quem nãofica nervoso (antes de um desempenho) é porque não dáimportância ao que faz”. O nervosismo é esse momento deautorreflexão, no qual você pensa na melhor maneira de atuar. Dessa forma, podemos atingir o que chamamos deexcelência.
Não a confunda com perfeccionismo, tudo bem? Poisexcelência não tem nada a ver com perfeccionismo. Estapostura provém do medo de errar, do medo de falhar, deuma autoexigência que causa neuroses e adoecimentos. Aexcelência é quase um sinônimo do capricho, de umtrabalho bem realizado. Mario Sergio Cortella costuma dizeristo aqui nas suas palestras, o que concordo em gênero,número e grau: “capricho é fazer o melhor com aquilo quese tem, enquanto não tem condições melhores para fazermelhor ainda”. Ou seja, é se utilizar dos recursos de que sedispõe, porém sempre nutrindo essa humildade de quepode ser melhor a cada dia.
Eu quero ser a cada ano que passa um professor melhor,um escritor melhor, um psicanalista melhor. Mas, acima detudo, uma pessoa melhor, que valoriza às amizades, o bomconvívio com a família ou com os colegas de trabalho e por aívai. Que este breve texto leve à reflexão sobre a importância defazermos o melhor nas condições que temos no momento esempre buscando um aperfeiçoamento. É normal ficar umpouco nervoso, e esse nervosismo é justamente o tempero quedeixa especial e único o seu trabalho e atribuições.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível emhttps://www.contioutra.com/quem-nao-fica-nervoso-antes-de-umdesempenho-e-porque-nao-da-importancia-ao-que-faz/. Acesso em:30/01/2020.)
Assinale a alternativa em que a palavra ou expressãoassinalada é empregada em sentido conotativo.
 

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