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2020086 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: QUADRIX
Orgão: CRMV-MA

E considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.

Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.

Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.

Rubem Braga. O Pavão. In: Ai de ti, Copacabana. 28.a ed. Rio de Janeiro: Record, 2010 (com adaptações).

Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item a seguir.

O texto realiza uma comparação entre o pavão, o grande artista e o ser amado (o narrador), associando a cada um desses três elementos uma maneira diferente de alcançar o esplendor: o pavão, por meio da fragmentação da luz a partir de minúsculas bolhas d'água; o artista, por meio de um processo artístico no qual se alcança o máximo de matizes com o mínimo de elementos; e o ser amado, pelo ato de receber, por meio de seus olhos, a luz do olhar de sua amada.

 

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