O texto seguinte servirá de base para responder a questão.
Mediadores de leitura
Autora: Yolanda Reyes (Tradução de Elizabeth Guzzo de Almeida)
Instituição: Projeto Espantapájaros. Colômbia.
Os mediadores de leitura são aquelas pessoas que estendem pontes entre os livros e os leitores, ou seja, que criam as condições para fazer com que seja possível que um livro e um leitor se encontrem. A experiência de encontrar os livros certos nos momentos certos da vida, esses livros que nos fascinam e que nos vão transformando em leitores paulatinamente, não têm uma rota única nem uma metodologia específica; por isto os mediadores de leitura não são fáceis de definir. No entanto, basta lembrar como descobrimos, nos primeiros anos da vida, esses livros que deixaram rastros em nossa infância e, talvez, aparecerão nítidas algumas figuras que foram nossos mediadores de leitura: esses adultos íntimos que deram vida às páginas de um livro, essas vozes que liam para nós, essas mãos e esses rostos que nos apresentavam os mundos possíveis e as emoções dos livros.
Os mediadores de leitura, consequentemente, não estão somente na escola, mas no lar, nas bibliotecas e nos espaços não convencionais como os parques, os hospitais e as ludotecas, entre outros. Durante a primeira infância, quando a criança não lê sozinha, a leitura é um trabalho em parceria e o adulto é quem vai dando sentido a essas páginas que para o bebê não seriam nada, sem sua presença e sua voz. Por isso, os primeiros mediadores de leitura são os pais, as mães, os avós e os educadores da primeira infância e, paulatinamente, à medida que as crianças se aproximam da língua escrita, vão se somando outros professores, bibliotecários, livreiros e diversos adultos que acompanham a leitura das crianças.
O trabalho do mediador de leitura não é fácil de reduzir a um manual de funções. Seu ofício essencial é ler de muitas formas possíveis: em primeiro lugar para si mesmo, porque um mediador de leitura é um leitor sensível e perspicaz, que se deixa tocar pelos livros, que desfruta e que sonha em compartilhá-los com outras pessoas. Em segundo lugar, um mediador cria rituais, momentos e atmosferas propícias para facilitar os encontros entre livros e leitores. Às vezes, pode fazer a Hora do Conto e ler em voz alta uma ou várias histórias a um grupo, mas, outras vezes, propicia leituras íntimas e solitárias ou encontros em pequenos grupos. Assim, em certas ocasiões, conversa ou recomenda algum livro; em outras permanece em silêncio ou se oculta para deixar que livro e leitor conversem.
Por isso, além de livros, um mediador de leitura lê seus leitores: quem são, o que sonham e o que temem, e quais são esses livros que podem criar pontes com suas perguntas, com seus momentos vitais e com essa necessidade de construir sentido que nos impulsiona a ler, desde o começo e ao longo da vida.
Retirado e adaptado de: Glossário Ceale. Disponível em: https://www.ceale.fae.ufmg.br Acesso em: 12 mar., 2024.
A partir da leitura de "Mediadores de leitura" e de sua relação com as concepções de linguagem, analise as afirmações a seguir:
I. Ao analisar a função dos mediadores de leitura, fica sinalizado que a concepção de linguagem mais saliente na função do mediador é a linguagem como comunicação, pois é por meio da linguagem que uma mensagem é passada de um emissor a um receptor.
II. Essa forma de compreender o papel do mediador de leitura está muito ligada à concepção de linguagem como interação, visto que esta promove uma construção de sentidos, de relações alteritária e é um meio no qual tanto adulto quanto criança/adolescente têm espaço para trazer suas contribuições.
III. Considerando o papel do mediador de leitura, a concepção de linguagem que mais se aproxima dessa mediação é a linguagem como expressão do pensamento, visto que a função do mediador, muitas vezes, é "permanece[r] em silêncio ou se ocultar para deixar que livro e leitor conversem", deixando que o leitor expresse o que pensa.
É correto o que se afirma em: