As palavras difíceis
A compreensão de alguns termos exige esforço do leitor, mas "descascá-los" e ver o que significam pode ser um prazer.
Por Bráulio Tavares
As palavras difíceis e as palavras fáceis são dois grandes testes para quem escreve. Podemos chamá-las também de palavras complicadas e palavras simples, ou então de palavras raras e palavras comuns. Tudo isso significa a mesma coisa. Acho que hoje em dia a grande maioria dos manuais ou das oficinas literárias aconselha as pessoas a usarem palavras simples. Houve um tempo em que não era assim. Palavrório rebuscado (ou, mais simplesmente: vocabulário difícil) era um sinal de talento, de erudição, de poder social. Principalmente no Brasil do século 19, um Brasil agrário com milhões de analfabetos, pouquíssimas universidades, e uma elite que sempre utilizou a cultura livresca e o diploma como filtros obrigatórios para a ascensão social. O povo podia ter a cultura que tivesse, mas só era considerado culto quem fosse capaz de usar provérbios em latim, de citar Sófocles ou Platão, de recitar em francês ou utilizar com propriedade termos obscuros. Diz-se de muitos literários dessa época que costumavam folhear o dicionário de caderno em punho, anotando palavras difíceis e depois procurando um pretexto para enfiá-las nos seus artigos ou contos....
Considere as afirmações abaixo:
I. No Brasil do século 19, quem fizesse uso de palavrório rebuscado era sinal de poder social.
II. A elite do Brasil, no século 19, nunca utilizou a cultura livresca e o diploma como filtros obrigatórios para a ascensão social.
III. Só se considerava culto quem fosse incapaz de utilizar provérbios em latim, citar Sócrates ou Platão, de recitar em francês ou utilizar com propriedade termos obscuros.
IV. Alguns literatos anotavam palavras difíceis e depois procuravam um pretexto para usá-las em seus artigos ou contos.
Está incorreto o que se afirma em: