A peregrinação é o ato de colocar-se a caminho em
direção ao sagrado − uma prática de retirar-se do
cotidiano, mover-se em silêncio e adentrar espaços que
promovem reflexão existencial e compreensão profunda
da vida. Diferente de um simples deslocamento, ela é
impulsionada pelo sentimento de incompletude humana
e pela necessidade de reencontrar sentido, pertencimento e contato com o transcendente. É
justamente nesse aspecto que o peregrino se distingue
do turista. Enquanto o turista busca curiosidade,
mudança de ares, registros fotográficos e lembranças, o
peregrino está disposto a deixar algo para trás e
construir uma relação profunda e devocional com o
sagrado − sua motivação não é o consumo da
experiência, mas a transformação interior. O turista olha
com curiosidade; o peregrino caminha com fé − e esse
caminho, sempre duplo, exterior e interior, move tanto os
pés quanto a alma. As peregrinações possuem ritos
muito simples para ajudar o peregrino a entender os
objetivos de sua jornada e aguçar os sentidos para
perceber os detalhes do caminho. O preparo exige
começar em casa, observando e ouvindo mais
atentamente. O caminho é sempre duplo. Chegar ao fim
da peregrinação é tão significativo quanto iniciá-la, pois a
chegada representa um recomeço na vida do peregrino,
repleto de memórias e pensamentos significativos. Por
fim, recordar, rememorar e ressignificar são ações
básicas do peregrino que termina a jornada − com o
auxílio da memória, ele mantém vivos os votos feitos
antes de partir e poderá, ainda, motivar mais pessoas a
seguirem a jornada, "continuando na constante busca
de sentido para suas vidas".
Referência bibliográfica: CECCHETTI, Elcio; SIMONI, Josiane Crusaro (org.). Ensino religioso não confessional: múltiplos olhares. In. "Ritos de peregrinação nas aulas de Ensino Religioso: possibilidades metodológicas", OLIARI, Gilberto; RABAIOLI, Juliana; ZAMPIERON, Rosemari. São Leopoldo: Oikos, 2019, Pg. 161 - 181. E-book. ISBN 978-85-7843-883-8. Grifos nossos.
Os muçulmanos possuem rituais específicos de preparação para as viagens sagradas. Antes de partir, raspam a cabeça, cortam as unhas e vestem-se com traje branco de peregrino. Esse preparo se expressa nos ritos do jejum, na abstinência de sexo, na recitação de certas orações e na meditação sobre textos sagrados. Para preparar a alma para a transição, o viajante realiza rituais de jejum, abstinência e purificação. Há também a crença no "merecimento" adquirido na peregrinação, assim como a noção de transformação, implícita tanto nas tradições budista e hinduísta quanto em peregrinações seculares, como a dos escritores a Paris e a dos pintores a Roma. Com base nos ritos de peregrinação nas diferentes tradições religiosas, é correto afirmar que, na tradição muçulmana:
Referência bibliográfica: CECCHETTI, Elcio; SIMONI, Josiane Crusaro (org.). Ensino religioso não confessional: múltiplos olhares. In. "Ritos de peregrinação nas aulas de Ensino Religioso: possibilidades metodológicas", OLIARI, Gilberto; RABAIOLI, Juliana; ZAMPIERON, Rosemari. São Leopoldo: Oikos, 2019, Pg. 161 - 181. E-book. ISBN 978-85-7843-883-8. Grifos nossos.
Os muçulmanos possuem rituais específicos de preparação para as viagens sagradas. Antes de partir, raspam a cabeça, cortam as unhas e vestem-se com traje branco de peregrino. Esse preparo se expressa nos ritos do jejum, na abstinência de sexo, na recitação de certas orações e na meditação sobre textos sagrados. Para preparar a alma para a transição, o viajante realiza rituais de jejum, abstinência e purificação. Há também a crença no "merecimento" adquirido na peregrinação, assim como a noção de transformação, implícita tanto nas tradições budista e hinduísta quanto em peregrinações seculares, como a dos escritores a Paris e a dos pintores a Roma. Com base nos ritos de peregrinação nas diferentes tradições religiosas, é correto afirmar que, na tradição muçulmana: