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2811133 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: Pref. São Carlos-SC

Texto 1

Imigrantes alemães no Brasil

As colônias de imigrantes alemães no Brasil foram se constituindo com a união dos costumes, hábitos, religião e tradições do local de origem com o ambiente onde passariam a viver. Segundo aponta Rosane Neumann, “no local de chegada, os imigrantes buscaram (re)construir suas identidades individuais e de grupos étnicos. A formação de identidade é sempre relacional, pois envolve a construção e a afirmação de um nó diante de um outro, ou seja, a alteridade se dá em relação a um outro”. Dessa forma, podemos entender que os imigrantes alemães se identificam dentro de um grupo étnico, diferenciando-se dos demais grupos étnicos brasileiros.

Segundo Giralda Seyferth, a organização comunitária destas pessoas está inteiramente ligada com a desorganização do Estado durante a colonização. Neste sentido, Seyferth defende que a criação de uma identidade teuto-brasileira está relacionada com o uso diário da língua alemã, as escolas étnicas e sociedades culturais recreativas, as quais fazem com que seja reforçada essa ideia de pertencimento étnico ligado a Alemanha. Os imigrantes enxergavam a colônia onde se instalaram como a nova pátria, a cidadania passaria a ser brasileira, mas a etnia continuava sendo a alemã. Assim sendo, Seyferth pontua que “o ato de imigrar significou o rompimento com o país de origem, mas não com o Volk (povo/etnia) alemão”. Desta forma, podemos dizer que esse processo resultou no que hoje denominamos de “teuto-brasileiro”.

No início do século XX, os imigrantes alemães e/ou seus descendentes passaram a ser vistos como um problema pela população e pelos governantes brasileiros. A partir de 1937, no período conhecido como Estado Novo, houve uma repressão às populações das colônias de origem alemã, uma vez que as medidas adotadas nesse período visavam diminuir a influência das comunidades de imigrantes estrangeiros no Brasil, forçando desta forma uma maior integração com a população brasileira. A língua alemã passou a ser proibida, as sociedades recreativas tiveram uma diminuição das atividades e as escolas passaram a ensinar somente em língua portuguesa. Porém, essa campanha não conseguiu acabar com o sentimento de etnicidade, e toda essa memória dos indivíduos de origem alemã continuou sendo transmitida de geração em geração.

ROYER, Emília. A língua, a casa e a festa: o patrimônio de origem alemã em São Carlos – SC. Chapecó, UFFS, 2017, p. 22-23. Disponível em: https://rd.uffs.edu.br/bitstream/prefix/1699/1/ROYER.pdf. Acesso em: 11 de jan. 2023. Fragmento adaptado.

Assinale a frase que está de acordo com as normas de língua padrão.

 

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