TEXTO II
Proibir publicidade infantil não evita obesidade e erotização precoce
Marcelo C. P. Diniz
São frequentes, hoje em dia, apelos relacionados à necessidade de proibir mensagens mercadológicas dirigidas a crianças, fazendo coro com a Resolução nº 163 do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), que pretende transformar em lei essa proibição. Colocaram no pacote os anúncios impressos, comerciais televisivos, spots de rádio, internet, embalagens, promoções, merchandising, shows e apresentações, e a disposição dos produtos nos pontos de vendas.
Trocando em miúdos, as embalagens não terão qualquer personagem ou apelo colorido: devemos tapar as vitrines das lojas de brinquedos como se fossem sex shops e cercar as seções de ovos de Páscoa nos supermercados, onde só poderão entrar maiores de 12 anos.
Também será proibido o acesso dos menores à internet, pois eles já são milhões nas redes sociais e, a exemplo das suas interações pessoais com os amiguinhos e parentes, hoje são emissores de mensagens, são influenciadores. A propósito, a Bienal do Livro deverá ser igualmente proibida, pois expõe livros do Menino Maluquinho, da Turma da Mônica e de vários outros personagens infantis que são licenciados para produtos e serviços, até mesmo viagens à Disneyworld.
Peço licença para afirmar que a publicidade dirigida a crianças, tal como é permitida hoje pelo Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), não é abusiva. A Resolução nº 163 do Conanda é que está em descompasso com as crianças do século XXI e seu meio cultural.
Os que são contrários ao mercado acusam anunciantes de provocar obesidade, erotização precoce, estresse familiar, violência, tabagismo e alcoolismo, entre outros males. Mas não consideram que a obesidade atinge todas as idades (Censo 2010). Nem verificam que 82,6% dos açúcares adicionados à alimentação vêm das cozinhas domésticas, além dos restaurantes que copiam aquelas receitas, conforme nossa tradição culinária.
Frituras, então, nem se fala! Também não verificam que, segundo a OMS, na Suécia - onde a publicidade infantil foi proibida há mais de 30 anos -, as pessoas são bem mais gordas do que no Japão, onde tudo que o Conanda quer proibir é permitido. Quanto à erotização, não percebem que o consumo é fator de identificação com o grupo. Será que as crianças vão deixar de admirar como se vestem suas mães e tias? E a dramaturgia, que espelha a sociedade e vice-versa?
Não podemos pensar que problemas médicos, genéticos, psicológicos, sociais ou econômicos deixarão a realidade das famílias com a simples proibição da publicidade.
Vejamos, então, os brinquedos. Dos brasileiros, 84% são urbanos e não há quadras de esportes em mais de 50% das escolas públicas. Pais trabalham fora e não podem deixar seus filhos cruzando grandes distâncias para encontrar uma área de lazer porque é perigoso. Queremos ver os pequenos no playground do prédio? Fazendo o quê? Pulando corda e amarelinha o ano inteiro?
Então vamos verificar o que a neurociência nos ensina: a novidade domina a atenção do ser humano, e isso as telinhas e telonas eletrônicas oferecem a todo tempo. Tem gente que diz que só fazem mal, mas já sabemos que não. Matthew Gentzkow, professor da Universidade de Chicago, declarou: "Cruzamos dados de exposição à televisão com resultados escolares de 300 mil alunos para verificar seu impacto no desenvolvimento. Os que tiveram mais tempo de vivência com a TV tiveram notas significativamente melhores".
Desnecessário argumentar que a TV aberta domina a audiência e reserva um quarto do seu tempo às propagandas, o que certamente contribuiu para o aprendizado desses 300 mil alunos. E o Medical Research Council, órgão do governo britânico, depois de estudar 11 mil alunos em escolas primárias, concluiu que não é correto associar o mau comportamento das crianças com o tempo que passam vendo TV ou se divertindo com os jogos.
Presenteie os filhos com livros, álbuns de atividades ilustrados com os personagens que eles mais gostam, tablets e videogames. São como brinquedos: educam, desenvolvem habilidades e proporcionam o relacionamento de múltiplas informações, o que gera mais criatividade. A vida moderna exige inovações, eles vão precisar desse conhecimento.
(DINIZ, Marcelo C. P. Proibir publicidade infantil não evita obesidade e erotização precoce.
Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2014/09/08/proibir-publicidade-infantil-nao-resolve-problemas-como-obesidade-e-erotizacao-precoce.htm>. Acesso em: 12 Set. 2014. Adaptado).
Todo texto, especialmente os predominantemente argumentativos, encerra diversas vozes na construção de seu processo enunciativo, ora para confirmar as informações que apresentam ora para refutá-las. Por vezes essas vozes vêm demarcadas por mecanismos ou recursos que distinguem as diferentes opiniões.
As expressões destacadas nos excertos transcritos que demarcam pontos de vista diferentes daquele assumido pelo autor são:
I - “Peço licença para afirmar que a publicidade dirigida a crianças, tal como é permitida hoje pelo Conar...”
II - “Tem gente que diz que só fazem mal, mas já sabemos que não.”
III - “Então vamos verificar o que a neurociência nos ensina: a novidade domina a atenção do ser humano, e isso as telinhas e telonas eletrônicas oferecem a todo tempo.”
IV - “Os que são contrários ao mercado acusam anunciantes de provocar obesidade...”
V - “Colocaram no pacote os anúncios impressos, comerciais televisivos...”
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