Leia o texto para responder às questões de números 08 a 10.
Antigamente vivi a natureza como um martírio. Ela é impiedosa, congela, queima, e você queima ou congela junto. Os verões chamuscantes, quentes, a sede na garganta, o pó da terra, você não consegue se defender. O corpo não é feito para isso, ele dói e se cansa. Não somos uma pedra ou uma árvore. O material que nos compõe não resiste à natureza. Todo trabalho no campo originava uma tristeza que eu não queria ter, pois ela custava ainda mais força. Mas ela vinha, era contra mim e não me deixava em paz. Ali estava uma tristeza tão infundada, tão estúpida, como se ela estivesse sempre lá no campo ou no vale esperando por mim. Achava a natureza hostil. Também no inverno. Mais tarde, então, soube que fenômenos naturais eram empregados para maltratar pessoas, nas prisões, nos campos forçados. O círculo polar e os desertos, o gelo e o calor podem matar e ser usados como instrumentos de tortura para destruir as pessoas. Sempre me lembrei disso e, também mais tarde, na cidade, não conseguia entender que pessoas se pusessem sobre uma montanha, olhassem com os olhos e os dedos dos pés para o vale e fossem felizes. Como elas conseguem?
(Herta Müller. Minha pátria era um caroço de maçã, 2019. Adaptado)
As expressões em destaque no trecho − Mas ela vinha, era contra mim e não me deixava em paz. Ali estava uma tristeza tão infundada, tão estúpida, como se ela estivesse sempre lá no campo ou no vale... – apresentam, respectivamente, ideias de