LEIA o texto a seguir.
De um certo tom azulado
Casou-se com o viúvo de espessa barba, embora sabendo que antes três esposas haviam morrido. E com
ele subiu em dorso de mula até o sombrio castelo.
Poucos dias haviam passado, quando ele a avisou de que num cômodo jamais deveria entrar. Era o
décimo quinto quarto do corredor esquerdo, no terceiro andar. A chave, mostrou, estava junto com as outras no
grande molho. E a ela seria entregue, tão certo estava de que sua virtude não lhe permitiria transgredir a
ordem.
E não permitiu, na semana toda em que o marido ficou no castelo. Mas chegando a oportunidade da
primeira viagem, despediu-se ela acenando com a mão, enquanto com a outra apalpava no bolso a chave
proibida.
Só esperou ver o marido afastar-se caminho abaixo. Então, rápida, subiu as escadas do primeiro, do
segundo, do terceiro andar, avançou pelo corredor, e ofegante parou frente à décima quinta porta.
Batia seu coração, inundando a cabeça de zumbidos. Tremia a mão hesitante empunhando a chave.
Nenhum som vinha além da pesada porta de carvalho. Apenas uma fresta de luz escorria junto ao chão.
Devagar botou a chave na fechadura. Devagar rodou, ouvindo o estalar de molas e linguetas. E
empurrando lentamente, bem lentamente, entrou.
No grande quarto, sentadas ao redor da mesa, as três esposas esperavam. Só faltava ela para completar
o jogo de buraco.
COLASANTI, Marina.
A morte expressa no conto, na realidade, CONSISTE: