Leia o soneto a seguir.
A minha dor
A você
A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.
Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal...
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias...
A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!
Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve... ninguém vê... ninguém...
ESPANCA, Florbela. A minha dor. In: Livro de mágoas. Disponível em:
http://www.portugues.seed.pr.gov.br/arquivos/File/leit_online/florbela3.pdf. Acesso em: 14 abr. 2022.
A palavra “convento” foi empregada, nesse poema,