Poema da necessidade
É preciso casar João,(II)
é preciso suportar Antônio,
é preciso odiar Melquíades
é preciso substituir nós todos.
É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.
É preciso estudar volapuque1,
é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.
É preciso viver com os homens
é preciso não assassiná-los,(I)
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar O FIM DO MUNDO
1 Volapuque: língua auxiliar de comunicação internacional criada em 1879 pelo alemão Johann M. Schleyer.
Leia atentamente as afirmações a seguir:
I – No verso “é preciso não assassiná-los,”, há um desvio da norma culta. Segundo a norma padrão, nas orações em que haja adverbio sem que exista pausa, o pronome deve vir antes do verbo, ou seja, o adequado seria a ênclise: “é preciso não os assassinar”.
II – No verso “É preciso casar João,”, há um desvio da norma culta da língua, pois deveria haver uma vírgula separando o vocativo “João”.
III – No último verso, a expressão FIM DO MUNDO, que finaliza o poema, é destacada pelo uso de maiúsculas. O recurso enfatiza a opinião do eu-lírico de que o mundo da forma como se apresenta, frenético, insaciável, não se sustenta, não é viável.
É (São) correta(s) a(s) afirmação(ões):