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AS QUESTÕES DE 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO

TEXTO

1 __De todas as mudanças que a humanidade sabe que enfrentará nas próximas décadas – as climáticas, a

2 ascensão da Inteligência Artificial (IA), a revolução na edição genética – nenhuma é tão previsível em seus efeitos

3 quanto o envelhecimento.

4 __A expectativa de vida nas economias industrializadas aumentou em mais de 30 anos desde 1900 e, pela

5 primeira vez na história da humanidade, há mais pessoas acima de 65 anos do que com menos de 5 anos – tudo

6 graças a uma combinação da crescente longevidade e da queda da fertilidade. Observamos essas tendências há

7 anos; os demógrafos puderam traçá-las décadas atrás. E, no entanto, não estamos preparados para as

8 consequências.

9 __Não estamos preparados econômica, social, institucional e tecnologicamente. Uma grande quantidade de

10 empregadores nos EUA – tanto na indústria quanto nos governos – está passando pela fuga de cérebros provocada

11 pela aposentadoria de trabalhadores experientes e idosos. Ao mesmo tempo, desempregados mais velhos lutam

12 para encontrar boas vagas, apesar das taxas de desemprego atualmente serem as menores dos últimos 50 anos.

13 Enquanto isso, metade dos empregados mais velhos é demitida antes de preparar-se para a aposentadoria e 25%

14 dizem que planejam nunca parar de trabalhar. Os sistemas de transporte público, fora das grandes cidades, não

15 está preparada para uma população maior de usuários, mais envelhecida e que não dirige. Os EUA também

16 enfrentam escassez de profissionais que dão assistência a idosos, a situação só piora à medida que a demanda

17 aumenta. Enquanto isso, a assistência “informal” a idosos retira anualmente da economia US$ 522 bilhões –

18 principalmente de mulheres que reduzem sua jornada de trabalho, ou deixam completamente o emprego, para

19 cuidar dos idosos.

20 __Os problemas relatados podem ser resolvidos. É estranho, por exemplo, que os empregadores estejam

21 enfrentando uma crise de aposentadoria ao mesmo tempo em que muitos trabalhadores mais velhos precisam lutar

22 para provar seu valor – é como um incêndio florestal coexistindo com uma chuva torrencial. É estranho que uma

23 sociedade como a nossa ainda coloque obstáculos no caminho de candidatos mais velhos ao emprego.

24__O MIT AgeLab abordou um desses paradoxos em particular: a profunda incompatibilidade entre produtos

25 criados para pessoas mais velhas e os que elas realmente precisam e desejam. Alguns exemplos, apenas 20% das

26 pessoas que poderiam se beneficiar de aparelhos auditivos os procuram. Apenas 2% das pessoas com mais de 65

27 anos buscam tecnologias de resposta pessoal a emergências – os dispositivos portáteis que ligam para o 190

28 pressionando apenas um botão – e muitos (talvez até a maioria) dos que os possuem se recusam a apertar o botão

29 de chamada mesmo depois de sofrer uma queda séria. A história nos dá outros exemplos de tais produtos que não

30 funcionam, desde carros amigáveis até alimentos misturados e telefones celulares de tamanho grande.

31 __Em todos os exemplos, os designers de produtos pensaram entender as demandas dos idosos, mas

32 subestimaram como os consumidores mais velhos fugiam de qualquer produto exalando um cheiro de “velhice”.

33 Afinal, não há dúvida que os dependentes de resposta pessoal de emergência são para “idosos” e, como a Pew

34 Research relatou, apenas 35% das pessoas com 75 anos ou mais se consideram “velhas”.

35 __Há uma lacuna de expectativas entre o que os consumidores mais velhos querem de um produto e o que

36 a maioria oferece. Se você precisar de um aparelho auditivo, mas ninguém produz um que você ache que vale a

37 pena comprar, isso poderá trazer sérias consequências para sua qualidade de vida, levando-o ao isolamento social

38 e a riscos físicos futuros.

39 __Mas até aqui o mais importante questionamento não foi respondido. Por que os produtos criados para

40 pessoas mais velhas parecem tão pouco inspiradores, são grandes, bege e chatos? Não é que os idosos não tenham

41 dinheiro. A população com mais de 50 anos controla 83% da riqueza das famílias nos EUA e gastou mais em

42 2015 do que aquelas com menos de 50 anos: quase US$ 8 trilhões. É verdade que essa riqueza é distribuída de

43 maneira desigual, mas se existissem produtos melhores eles seriam mais comprados pelas pessoas com mais

44 dinheiro.

45 __E não é mais possível argumentar que o problema é que as pessoas mais velhas não são conhecedoras de

46 tecnologia. Talvez esse estereótipo tenha sido verdadeiro – em 2000 -, quando apenas 14% das pessoas acima 65

47 anos nos Estados Unidos usavam a Internet -, mas isso é passado. Hoje, 73% da população – na mesma faixa

48 etária – está online e metade possui smartphones.

49 __Então, qual o motivo desta lacuna?

50 __Existe uma explicação – e contém pistas de como podemos transformar muitos problemas paradoxais do

51 envelhecimento global em novas oportunidades.

52 __A causa dos problemas trazidos à luz do dia – entre produtos e expectativas dos consumidores, entre

53 empregador e trabalhador mais velho, entre o que as pessoas de 75 anos pensam sobre velhice e sua autoimagem

54 – é muito simples. “Velhice”, como a conhecemos, é um conceito inventado.

55 __Há 200 anos, ninguém pensava nos “idosos” ou “velhos” como um problema populacional a ser resolvido,

56 mas isso mudou graças a uma confluência de avanços científicos e uma construção cultural. Na primeira metade

57 do século XIX, os médicos, nos EUA e no Reino Unido, acreditavam que a velhice biológica ocorria quando o

58 corpo ficava sem uma substância conhecida como “energia vital”, que, como a energia de uma bateria descartável

59 era consumida durante a vida inteira pela atividade física, e nunca poderia ser reabastecida. Quando as pessoas

60 começavam a apresentar sinais de envelhecimento (cabelos brancos, menopausa, etc.), a única saída clinicamente

61 correta era insistir para que reduzissem suas atividades. “Se a morte resulta de um suprimento esgotado de energia,

62 o objetivo era retê-la a todo custo”, escreveu a historiadora Carole Haber em seu livro de 1994, Old Age and the

63 Search for Security (Velhice e a Busca por Segurança, em tradução livre), “se alimentando corretamente, vestindo

64 roupas adequadas, e realizando (ou abstendo-se) de certas atividades”. Sexo e trabalho físico eram considerados

65 especialmente desgastantes.

66 __Na década de 1860, novos conceitos de patologia começaram a substituir o da energia vital na Europa

67 continental e acabaram chegando aos EUA e Reino Unido. Enquanto isso, entretanto, discussões sobre

68 desenvolvimento social e econômico preservariam como em âmbar a concepção de velhice como um período de

69 descanso passivo.

70 __No local de trabalho cada vez mais mecanizado, a eficiência era a nova palavra de ordem. O trabalhador

71 mais velho, com pouca energia vital, foi um alvo fácil. Pensões privadas – introduzidas pela American Express

72 em 1875 e que explodiram nas décadas seguintes – foram a resposta pela preocupação humanitária com

73 funcionários aposentados, mas, também, por darem aos gerentes a cobertura moral necessária para demitir

74 trabalhadores mais velhos.

75 __No início da 1ª Guerra Mundial, a primeira metade da narrativa moderna sobre a velhice foi escrita: os

76 idosos constituíam uma população em extrema necessidade de assistência. Foi somente depois da 2ª Guerra

77 Mundial que a segunda metade foi desenvolvida na forma dos “anos dourados” por Del Webb, um gênio do

78 marketing, construtor da Sun City, a meca da aposentadoria no Arizona.

79__Os anos dourados posicionaram a aposentadoria não como algo ruim que seu chefe fez com você, mas

80 como um período de recompensa por uma vida inteira de trabalho duro. Quando a aposentadoria se tornou

81 sinônimo de lazer, toda a concepção de velhice do século XX se formou: se você não era o tipo de pessoa mais

82 idosa que era carente – por dinheiro, por ajuda nas tarefas diárias, por atenção médica – então você deve ser o tipo

83 que era ganancioso: por uma vida fácil e de luxos consumistas.

84 __Com os desejos e as necessidades atendidas, essa imagem de Janus (deus romano das mudanças e

85 transições) deu a impressão de grandeza, mas, na verdade, criou uma imagem ruim das pessoas mais velhas. Ser

86 velho significava ser sempre um tomador, nunca um doador; sempre um consumidor, nunca um produtor.


FONTE: https://www.maturijobs.com/pesquisas/a-velhice-e-um-conceito-inventado-que-prejudica-a-todos-parte-i/


A base primitiva de formação das palavras “envelhecimento” (L.3) e “riqueza” (L.42), respectivamente, é

 

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