Há pouco mais de um ano, o então primeiro-ministro trabalhista de Israel, Barak, declarou estar disposto a negociar a divisão de Jerusalém no quadro de um acordo geral na região. Foi, para o público interno, uma ousadia até inesperada, por tudo o que a cidade representa no imaginário dos judeus e dos israelenses em particular, e não apenas dos religiosos. Duas ações mudaram o panorama propício à paz: primeiramente, a desastrada e provocativa visita do general Sharon aos espaços sagrados dos muçulmanos; a segunda ação foi o ressurgimento da Intifada, aparentemente apenas um protesto contra a provocação de Sharon, mas provavelmente também uma jogada arriscada de Arafat, buscando aumentar seus trunfos em uma possível negociação que se avizinhava. Arafat correu o risco e se deu mal. Acabou sendo o principal eleitor de Sharon, nas eleições que foram convocadas por um Barak desmoralizado.
Jaime Pinsky. Israel e palestinos: a hora da verdade. Correio Braziliense, 16/12/2001, p. 5 (com adaptações).
A partir do texto, e tendo em vista o caráter estratégico e explosivo do Oriente Médio na geopolítica do mundo contemporâneo, algo que também se constitui em objeto de estudo da renovada Geografia dos tempos atuais, julgue os itens seguintes.
Os atentados de 11 de setembro de 2001 contra os EUA repercutiram intensamente no tabuleiro de xadrez que é o Oriente Médio; momentaneamente preocupados em formalizar alianças que sustentassem politicamente suas ações de represália, sobretudo as relativas ao ataque ao Afeganistão, os EUA marginalizaram Israel, o que foi o suficiente para ampliar consideravelmente o espaço político e militar do líder palestino Yasser Arafat.