Quando lemos com atenção um texto bem construído, não nos perdemos por entre os enunciados que o constituem, nem perdemos a noção de conjunto. Com efeito, é possível compreender a conexão existente entre os vários segmentos do texto e compreender que estão todos interligados entre si. (...) Diz-se, pois, que um texto tem coesão quando seus vários enunciados estão organicamente articulados entre si, quando há concatenização entre eles.
A coesão de um texto, isto é, a conexão entre os vários enunciados obviamente não é feito do acaso, mas surge das relações de sentido existente entre eles, manifestadas sobretudo por categorias de palavras chamadas de conectivos ou elementos de coesão e elementos anafóricos (de retomada ou antecipação de termos)
Leia o texto 3 a seguir observando a análise dos conectivos e anafóricos.
Texto 3
Um arriscado esporte nacional
Os leigos sempre se medicaram por conta própria, já que de médico e de louco todos temos um pouco, mas esse problema jamais adquiriu contornos tão preocupantes no Brasil como atualmente. Qualquer farmácia conta hoje com um arsenal de armas de guerra para combater doenças de fazer inveja à própria indústria de material bélico nacional. Cerca de 40% das vendas realizadas pelas farmácias nas metrópoles brasileiras destinam-se a pessoas que se automedicam. A indústria farmacêutica de menor porte retira 80% de seu faturamento da venda “livre” de seus produtos – isto é, das vendas sem receita médica.
Diante desse quadro, o médico tem o dever de alertar a população para os perigos ocultos em cada remédio, sem que, necessariamente, faça junto com essas advertências uma sugestão para que os entusiastas da automedicação passem a gastar mais em consultas médicas. Acredito que a maioria das pessoas se automedicam por sugestão de amigos, leitura, fascinação pelo mundo maravilhoso das drogas “novas” ou simplesmente para tentar manter a juventude. Qualquer que seja a causa, os resultados podem ser danosos.
É comum, por exemplo, que um simples resfriado ou uma gripe banal leve um brasileiro a ingerir doses insuficientes ou inadequadas de antibióticos fortíssimos, reservados para infecções graves e com indicação precisas. Quem age assim está ensinando bactérias a se tornarem resistentes a antibióticos. Um dia, quando realmente precisar do remédio, este não funcionará. E quem não conhece aquele tipo de gripado que chega à farmácia e pede ao rapaz do balcão que lhe indique uma “bomba” para cortar a gripe pela raiz? Com isso poderá receber analgésicos, antitérmicos, glicose, cálcio, vitamina C, produtos aromáticos – tudo isso sem saber dos riscos que corre pela entrada simultânea destes e outros produtos em seu organismo.
(In: PLATÃO; FIORIN. Para entender o texto: leitura e redação)
Analise as afirmativas a seguir sobre os elementos coesivos sublinhados no texto 3 em falsas ou verdadeiras.
I- “Já que” introduz uma consequência do que foi dito na oração anterior.
II- O conectivo “e” liga dois atributos que ocorrem simultaneamente.
III- “Um pouco” orienta no sentido da afirmação da propriedade. Opõe-se a “pouco”. Se se dissesse “de médico e de louco todos temos pouco”, a orientação seria no sentido de restrição da propriedade.
IV- “Que” é um anafórico cujo antecedente é “pessoas”.
V- “Isto é” introduz outra ideia a respeito da venda de remédios.
VI- “Ou” marca uma relação de simultaneidade: todos os elementos podem ocorrer simultaneamente.
VII- “E” introduz uma interrogação retórica que retoma a argumentação desenvolvida anteriormente.
VIII- “Tudo isso” é um anafórico e um afirmador de totalidade universal. Retoma os elementos citados no contexto imediatamente anterior: todos os elementos da “bomba” para cortar a gripe são perigosos.
São verdadeiras: