Leia o seguinte texto, que expressa a opinião do escritor brasileiro Lima Barreto sobre o carnaval, para responder as questões a seguir.
“Nunca fui carnavalesco, mas, como todo melancólico e contemplativo, gosto do ruído e da multidão. O isolamento faz-me mal à alma e ao pensamento. Mergulho no barulho dos outros, deixo de pensar em mim e nas fantasmagorias que eu mesmo criei para o meu padecer. A embriaguez que a multidão traz é a melhor e a mais inofensiva de todas que se tem até agora inventado. Nem o ópio, nem o álcool, produzem a embriaguez que com a dela se assemelhe. Temos visões extranormais, sem estragar a saúde... mas, atualmente, fugiria do carnaval do Rio de Janeiro, que não se pode agora assistir em são e perfeito juízo. Vou dizer o motivo: o que me aborrece mais no atual carnaval é a conclusão a que fatalmente chego ao ouvir as suas cantigas, sambas, fados, etc., ao ouvir toda essa poética popular e espontânea, de não possuir o nosso povo, a nossa massa anônima, nenhuma inteligência e de faltar-lhe por completo o senso comum. Mete horror semelhante pensamento. O ponto de vista de imoralidade e chulice pouco me preocupa; o que me preocupa é o intelectual e artístico. Uma tal pobreza de pensamento no nosso povo causa a quem medita piedade, tristeza e aborrecimento. Por isso fugi ao carnaval e ele agora me é indiferente”.
(Sobre o carnaval, com adaptações).
Após a oração “Vou dizer o motivo”, o autor emprega a pontuação denominada dois-pontos. Nesse caso, essa pontuação é usada para: