É verdade que quase todo mundo tem suas preferências, detesta algumas construções, prefere a pronúncia de alguma região etc. Mas o linguista precisa manter uma atitude científica, com atenção constante às realidades da língua e total respeito por elas. Se ele verifica que as pessoas dizem frases como “Se você ver ela, fala com ela pra me telefonar”, precisa reconhecer essa construção como legítima na língua. Por outro lado, em um texto escrito, ele provavelmente encontraria outra frase, que igualmente precisa ser reconhecida. As duas coexistem, cada qual no seu contexto. O linguista, cientista da linguagem, observa a língua como ela é, não como algumas pessoas acham que ela deveria ser. Condenar uma construção ou uma palavra ocorrente como incorreta é mais ou menos como decretar que é “errado” que aconteçam terremotos. Eles acontecem, e um cientista não tem remédio senão reconhecer os fatos. O objetivo dos linguistas é descrever e explicar, e não, prescrever formas certas e proibir formas erradas. Para nós, “certo” é aquilo que ocorre na língua.
Mário A. Perini. Gramática do português brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial, 2010, p. 20-1 (com adaptações).
Julgue o item subsequente, relativo ao texto acima.
Infere-se do texto que seu autor é linguista e, como tal, defende que os gramáticos, em vez de formularem regras, assumam atitude científica, ou seja, descrevam e expliquem todas as construções linguísticas, visto que, segundo o autor, todas são legítimas, como sintetiza no último período do texto.