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Um bico de luz pendurado range no fio; no quarto de tábuas, a sombra vence. A água, escura e espessa, esfrega o barranco e traz cheiro de sabão barato e gasolina. No fogão, a panela cobra resposta e só devolve um bafo ralo. A mão que empurrou o carrinho de papel o dia inteiro abre, agora, um caderno costurado com linha grossa, salvo do lixo. Carolina Maria de Jesus escreve para deter o dia antes da perda; mede as frases com a mesma urgência com que mede o arroz. Os filhos respiram pesados no colchão fino. O bairro apaga; dentro do caderno, uma cidade acende.

Disponível em: <https://www.revistabula.com/112101-panelas-vaziasfilhos- com-fome-uma-mae-arrancou-do-lixo-um-caderno-reescreveu-ahistoria- do-brasil/>. Acesso em 11 set. 2025, com adaptações.

 

O texto aborda a vida e a obra de Carolina Maria de Jesus, autora do livro Quarto de despejo: diário de uma favelada, publicado em 1960. Como estratégia para estabelecer a relação entre a carência de recursos e as características da produção literária, o autor do texto cria comparações que podem ser percebidas em

 

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