Magna Concursos
3344240 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Santa Maria Jetibá-ES
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Texto I

Solidários na porta

Vivemos a civilização do automóvel, mas atrás do volante de um carro o homem se comporta como se ainda estivesse nas cavernas. Antes da roda. Luta com o seu semelhante pelo espaço na rua como se fosse o último mamute. Usando as mesmas táticas de intimidação, apenas buzinando em vez de rosnar ou rosnando em vez de morder.

O trânsito em qualquer grande cidade do mundo é uma metáfora para a vida competitiva que a gente leva, cada um dentro do seu próprio pequeno mundo de metal tentando levar vantagem sobre o outro, ou pelo menos tentando não se deixar intimidar. E provando que não há nada menos civilizado que a civilização.

Mas há uma exceção. Uma pequena clareira de solidariedade na jângal. É a porta aberta. Quando o carro ao seu lado emparelha com o seu e alguém põe a cabeça para fora, você se prepara para o pior. Prepara a resposta. “É a sua!”

Mas você pode ter uma surpresa.

- Porta aberta!

- O quê?

Você custa a acreditar que nem você nem ninguém da sua família está sendo xingado. Mas não, o inimigo está sinceramente preocupado com a possibilidade da porta se abrir e você cair do carro. A porta aberta determina uma espécie de trégua tácita. Todos a apontam. Vão atrás, buzinando freneticamente, se por acaso você não ouviu o primeiro aviso. “Olha a porta aberta!” É como um código de honra, um intervalo nas hostilidades. Se a porta se abrir e você cair mesmo na rua, aí passam por cima. Mas avisaram.

Quer dizer, ainda não voltamos ao estado animal.

(Luís Fernando Veríssimo. In: O suicida e o computador. Porto Alegre: L&PM, 1992.)

Texto II

Enunciado 3819465-1

(Disponível em: https://www.motonline.com.br/noticia/gibi-da-turma-da-monica-em-prol-da-seguranca-no-transito/. Acesso em: 17/12/2023.)

Já declarou Luís Fernando Veríssimo, autor do texto I, que “escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo”. Se alinhada em conformidade com os paradigmas linguísticos e gramaticais vigentes na contemporaneidade, a reprodução acima de seu texto apresenta alguns desvios do padrão normativo da língua portuguesa, provavelmente de modo a retratar a fala em seu contexto corriqueiro, característica de crônicas. Isso se pode constatar nas alternativas a seguir, em que se propõem reescritas de trechos retirados do texto. Assinale a única que apresenta uma reescrita e uma justificativa desnecessárias, uma vez que sua reprodução no texto original já está adequada aos padrões normativos da língua.

 

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