Magna Concursos
716112 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FAUEL
Orgão: Câm. Mamborê-PR
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O PERU, ESSE DESCONHECIDO
Henrique Pongetti
Nessa alegria toda espalhada pelo mês de dezembro, há um descontente: o peru. É impossível que em tantos anos de sacrifícios o mártir não se haja dado conta da sua ingrata sina. Sou um humano da estirpe de Esopo e de La Fontaine: creio na consciência e no raciocínio dos bichos.
Para mim o peru sabe de tudo. Finge que não sabe porque conhece a inutilidade de qualquer reação diante da gula comemorativa dos homens. Uma rebelião dos perus em dezembro! Para quê? Acabariam do mesmo modo no forno e ainda seriam chamados de desmancha-prazeres e de maus amigos do Menino Jesus.
Engordam-nos nas vésperas do holocausto, fazem-lhes todas às vontades estomacais. As fomes desmedidas dos perus em dezembro se assemelham às dos condenados à morte no dia da execução, quando lhes dão o direito de organizar o cardápio com suas iguarias prediletas. Comem para não pensar. Há condenados à morte que se despedem da vida comendo numa só refeição todos os pratos que nunca puderam digerir, e cuja digestão não terão mais tempo de fazer. Os perus dispépticos são desconhecidos no mês mais cristão e mais guloso do ano. Diante da certeza da morte eles não fazem das tripas coração; fazem do coração estômago.
Discordo do costume de dar parati ao peru, na hora da execução, com o fito interesseiro de amolecer-lhe as carnes. Devia ser um brinde de adeus com uma bebida respeitável e não uma somítica esperteza de carnívoros. Champanha seria querer muito, mas um vinhito honesto emprestaria dignidade à despedida, sem prejudicar o amolecimento dos despojos. Dignifiquemos, ainda que tarde, nossas monstruosas relações com os animais comestíveis.
Assinale a alternativa em que a palavra é formada por parassíntese:
 

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